Uma coisa que os cientistas já sabiam há muito tempo: a vida é resistente. Foram várias as viagens que levaram seres vivos para o espaço. Cães, ratos, plantas, bactérias e fungos já passaram muitas temporadas no Espaço, inclusivamente na MIR, onde se encontraram bactérias em crescimento nos painéis solares. O ser humano lida mal com as temperaturas negativas e com a ausência de gravidade, perdendo massa muscular muito rapidamente — e é incapaz de resistir às radiações solares.

Ao contrário, algumas bactérias multiplicam-se gloriosamente neste ambiente inóspito. Uma nova evidência da capacidade de resistência dos seres vivos microscópicos foi encontrada há dias quando os astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS – em inglês) limpavam as janelas da nave: encontraram plâncton, a base da cadeia alimentar dos oceanos — constituídos por diversos organismos microscópicos que, de acordo com a biologia marinha, se dividem em vários grupos, tais como fitoplâncton e zooplâncton.

Este fenómeno surpreendeu os astronautas e carecia de explicação científica. A contaminação da estrutura durante a sua construção e transporte, foi uma ideia que Vladimir Solovyev (responsável pela componente soviética da ISS) diz “não ter lógica, porque o centro de Baikonur no Cazaquistão fica muito distante do mar”. Em alternativa, afirma que uma explicação possível para este fenómeno é a existência de correntes de ar que sobem milhares de quilómetros. O calor do Sol faz com que grandes massas de ar se desloquem até às camadas exteriores da atmosfera e algumas delas devem escapar à força gravítica da Terra.

Os astronautas e cientistas consideram estas descobertas muito interessantes pela demonstração da capacidade de sobrevivência destes micro-organismos. Além disso, sugerem que estes podem vir a ser úteis ao Homem em cenários de viagens de longa duração, pela capacidade que possuem em sintetizar substâncias químicas importantes — tais como vitaminas — e pela capacidade de produzir oxigénio ou decompor dejetos.