Pela primeira vez, um grupo de investigadores conseguiu passar informação de um cérebro para outro através de código binário. O procedimento é complexo mas explica-se da seguinte forma: uma pessoa pensou na palavra “olá”, um computador transformou esses sinais elétricos do cérebro em “zeros e uns” (código binário), transmitiu-os pela internet para outro computador que os reconverteu em estímulos visuais, que foram por sua vez interpretados pelo recetor. A taxa de erro nesta transmissão cérebro-cérebro foi de apenas 15%.

Há já algum tempo que é possível utilizar as ondas cerebrais para operar máquinas. Através de capacetes especiais, carregados de sensores para medir as ondas cerebrais, é possível operar robôs, nomeadamente braços mecânicos. Os computadores permitem também fazer o inverso, ou seja, induzir estímulos no cérebro. Esta técnica não invasiva chama-se eletrencefalografia e os especialistas dividem estes mecanismos de comunicação em interfaces cérebro-computador e interface computador-cérebro (de acordo com o sentido da comunicação, bem entendido).

Os sujeitos em causa estavam separados por longas distâncias. Uma primeira experiência ocorreu entre a Índia e a França e um segundo ensaio entre Espanha e França. A mensagem foi rudimentar (apenas a palavra “olá”) mas permitiu demonstrar, pela primeira vez, que é possível passar informação (pensamento) de um cérebro para o outro através das ondas cerebrais. A mensagem transmitida foi simples mas exemplificativa. A capacidade de converter e transmitir os sinais elétricos produzidos pelo cérebro entre indivíduos e por longas distâncias fará com que, um dia, talvez baste pensar para comunicar. Telepatia, mas através de computadores. A imagem esquemática do estudo ajuda a entender o mecanismo de transmissão de informação:

brain-to-brain