No futebol como funciona a inflação? Acontecerá quando vários clubes pretendem comprar um mesmo jogador, ou nos casos em que o vendedor bate o pé, na esperança de subir a parada e tentar lucrar mais com um negócio. Seja o que for, o Centre for Sports Studies (CIES) diz que o Manchester United e o Real Madrid pagaram mais do que o suposto para terem Ángel di María e James Rodríguez — jogadores representados pela Gestifute, empresa de Jorge Mendes. E não foi pouco.

O argentino terá custado mais 30 milhões de euros aos red devils do que o seu real valor de mercado. Já o colombiano aterrou em Madrid após os merengues pagarem mais 25 milhões em relação “ao preço certo”. Mas as coisas não acabam aqui, no caso de David Luiz o Paris Saint-Germain terá pagado mais 29 milhões do que o suposto para comprar o internacional brasileiro ao Chelsea. É o que diz a entidade sediada em Zurique, na Suíça, que analisou as transferências ocorridas este verão nas cinco principais ligas europeias (Premier League, Bundesliga, La Liga, Série A e Ligue 1).

Para fazer os cálculos, o CIES utilizou uma ferramenta própria, construída com “um algoritmo exclusivo baseado em mais de 1500 transferências feitas nos últimos cinco anos”. O organismo concluiu que, entre o preço que considera certo e a verba paga, no “top” das maiores diferenças estão as transferências de Ángel di María e James Rodríguez (primeira e terceira, respetivamente) — ambas mediadas pela Gestifute, empresa detida pelo empresário português Jorge Mendes. O Observador tentou contactar a entidade para obter uma reação, mas não recebeu qualquer resposta até ao momento.

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O Manchester United, recorde-se, pagou 75 milhões de euros ao Real Madrid para contratar o internacional argentino, enquanto os merengues desembolsaram 80 milhões para fazerem o melhor marcador do último Mundial trocar o Mónaco por Madrid. O CIES, aliás, indicou que 16% das transferências efetuadas neste mercado entre as cinco principais ligas europeias foram inflacionadas.

Mesmo sem especificar a quantia a mais, a entidade até referiu outros jogadores que foram transferidos por valor superior ao seu valor de mercado: Jérémy Mathieu (20 milhões de euros), Alexis Sánchez (42,5 milhões), Ivan Rakitic (18 milhões), Juan Iturbe (22 milhões) ou Keylor Navas (10 milhões) são alguns dos exemplos. Mas também há aqueles por quem não foi pago o que deveria ter sido.

E, neste lote, surge outro jogador representado pela Gestifute — o brasileiro Diego Costa, transferido do Atlético de Madrid para o Chelsea, a troco de 38 milhões de euros. Que deveriam ter sido 48 milhões, segundo o CIES. Outros casos destacados pela entidade são os de Luiz Suárez e Mario Balotelli, por quem o Barcelona e Liverpool pagaram 81,2 e 20 milhões. Tudo por culpa “da existência de cláusulas de rescisão” ou “questões não desportivas”, justificou a entidade.

https://twitter.com/FIFATMS/status/506711805759352833

No total, o mercado de transferências — que em Portugal encerrou às 23h59 de 1 de setembro — nas cinco principais ligas europeias operou com mais de 2,3 mil milhões de euros.