A Assembleia Geral da PT reúne-se esta segunda-feira para aprovar novo acordo de fusão com a brasileira Oi. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, os administradores não-executivos Rafael Mora, da Ongoing, e Paulo Varela, da Visabeira, afirmam que a fusão é a “melhor solução” para a PT (“dentro das más”), e mostram-se confiantes de que “parte” do empréstimo à RioForte, que valeu revisão em baixa da participação da PT na futura empresa, ainda possa ser recuperado.

Ficámos atónitos com todo este procedimento, com todos os atos que conduziram a esses investimentos absolutamente ruinosos e repudiamos e lamentamos profundamente”, dizem os dois administradores, quebrando o silêncio sobre o polémico empréstimo da PT à RioForte e sublinhando terem “desconhecimento total sobre a matéria”. “Fomos totalmente surpreendidos com as informações”, dizem.

Ainda assim, os dois administradores estão confiantes de que uma parte do investimento possa ser recuperada, mesmo que não a saibam quantificar. “Esta é a melhor solução, porque preserva a possibilidade de recuperar uma parte indeterminada de valor perdido, mas que nós consideramos que vai ser significativa”. O valor, esse, não o estimam para já, remetendo para o plano do Tribunal do Luxemburgo, que deve ser conhecido até ao fim do ano.

“Durante estes meses optámos por ficar calados com um custo pessoal grande”, explicam os atuais administradores da PT ao Dinheiro Vivo, afirmando que preferiram “manter o Conselho unido” em torno de uma solução em vez de “ir para a guerra contra o próprio ativo”. A solução encontrada com a brasileira Oi, dizem, “dentro das más”, era a “melhor para os acionistas (…) porque possibilita continuar o processo, recuperar valor perdido e recuperar os créditos que não foram pagos”, dizem Mora e Varela.

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Sobre a Assembleia Geral convocada para esta segunda-feira, os dois administradores não-executivos mostram-se confiantes de que a proposta de fusão seja votada e aprovada por “uma maioria qualificada”, para “preservar o investimento, minimizar as perdas e criar condições para o futuro da empresa”. Qualquer decisão exige uma maioria de dois terços e a administração do Novo Banco terá uma palavra decisiva na votação, diz o Negócios, já que a instituição liderada por Vítor Bento detém 10% e está inscrita na Assembleia Geral.

Ao Dinheiro Vivo, Rafael Mora e Paulo Varela dizem sentir-se “prejudicadíssimos” pela situação da RioForte, que deixou a relação entre a PT e a Oi com “feridas”. “Não podemos pensar que os últimos dois meses não aconteceram”, dizem, acrescentando que “houve interações muito difíceis em que havia duas partes interessadas e convictas de que estavam a fazer o melhor para defender os seus acionistas”.