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Mais de 23% das mulheres que abortaram em 2013 estavam desempregadas

Em 2013 foram interrompidas 17.964 gravidezes, das quais 17.414 por opção da mulher. O número tem vindo a diminuir desde 2011.

O número de interrupções de gravidez tem vindo a diminuir nos últimos três anos.

Getty Images

Autores
  • Milton Cappelletti
  • Fábio Monteiro

Cerca de 23,63% das mulheres que interromperam a gravidez, no ano de 2013, em Portugal, fizeram-no por opção própria e estavam desempregadas, sendo que este número não inclui as estudantes, que representam mais 17% dos casos. O número de intervenções tem vindo a diminuir nos últimos dois anos.

Os números são revelados pela Direção Geral de Saúde (DGS) nesta sexta-feira, 26, o Dia Mundial da Contraceção.

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Alguns dos pontos principais do relatório da Direção Geral de Saúde, relativos ao ano de 2013:

  • 69% das intervenções foram feitas em hospitais públicos e 31% no privado;
  • Houve uma diminuição de 6,5% no número de intervenções relativamente a 2012;
  • 35,73% das mulheres que interromperam a gravidez tinham o ensino Secundário;
  • 17% das mulheres que interromperam a gravidez eram estudantes;
  • 66,8% das interrupções por opção da mulher foram realizadas pelo método medicamentoso e 32,7% pelo método cirúrgico;
  • 52,26% das mulheres era habitante da região de Lisboa e Vale do Tejo;

“A diminuição do número pode dever-se ao incentivo de utilização de métodos contracetivos que não dependam da atenção diária do utilizador”, explica Ana Rosa Costa, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção, ao Observador, referindo em particular os dispositivos intra-uterinos. Portugal é um dos países com maior “taxa de gravidez na adolescência”, conta.

Para a ginecologista, a elevada percentagem de mulheres desempregadas que escolheu abortar é um dado que representa o “estado social e económico” do país. Com agregados familiares separados pela emigração, alguns casais “não querem engravidar.” Ana Rosa Costa afirma que a percentagem de mulheres desempregadas em anos anteriores “não era tão relevante” – em 2011 era 19,43% e em 2012 era 22,69%.

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Segundo dados do estudo Pan European FC Study 2009, o método contracetivo mais usado na Europa é a pílula (24%); a taxa de maior utilização de métodos contracetivos orais é a de Portugal (53%) ; 45% de todas as mulheres europeias que tomam a pílula admitem que se esqueceram de tomar, pelo menos um dos comprimidos durante os três últimos meses.

Métodos anticoncecionais reversíveis de longa duração – sendo mais comuns o dispositivo intra-uterino (DIU) e os implantes – são as formas mais eficazes de contraceção reversíveis disponíveis e são seguras para uso em quase todas as mulheres em idade reprodutiva, sugere um boletim prático emitido por uma equipa de investigadores do Conselho de Obstetras e Ginecologistas Americano. Em todo o mundo, mais de 41% dos 208 milhões de gravidezes que ocorrem a cada ano não são planeadas e, destas, quase metade resulta em aborto.

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