A população mundial está a envelhecer. Na maioria dos países, a percentagem do número de pessoas idosas está a aumentar rapidamente, a par com uma diminuição no número de nascimentos. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de crianças continuará a descer até ao final do século. Estima-se que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos triplique de 400 milhões para mais de dois mil milhões. Apesar de este aumento refletir uma melhoria nas condições de vida e das políticas de saúde na maioria dos países desenvolvidos, representa também um desafio para a sociedade atual, que terá de se adaptar de modo a “maximizar a capacidade funcional e a saúde” dos mais velhos, assim como a sua participação e integração social.

Em Portugal, a realidade não é diferente. Muitas vezes referido como um dos países mais envelhecidos da União Europeia, 20% da população portuguesa tem mais de 65 anos. Os dados divulgados esta terça-feira pela Pordata (uma base de dados organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos), a propósito do Dia Internacional do Idoso que se celebra a 1 de outubro, ajudam a perceber melhor quem são e como vivem os idosos portugueses.

Portugal é o quarto país da União Europeia com maior percentagem de idosos, logo a seguir a países como Itália e Grécia. Desde os anos 60, o número de pessoas com mais de 65 anos aumentou de cerca de 700 mil para mais de dois milhões, acompanhando a diminuição do número de nascimentos. Na década de 70, por cada idoso com mais de 65 anos, existiam duas crianças com menos de 10. Atualmente, as estatísticas mostram exatamente o oposto — por cada criança com menos de 10 anos, existem cerca de dois idosos.

Em termos regionais e segundo dados de 2013, o distrito com maior número de idosos é Castelo Branco. A maioria dos municípios mais envelhecidos encontra-se nas regiões da Beira Baixa e Beira Litoral, apesar de Alcoutim, no distrito de Faro, ter a maior percentagem de pessoas idosas. Segundo dados divulgados pela GNR, a propósito da operação “Censos Sénior 2014”, existem cerca de 34 mil idosos a viverem sozinhos ou isolados, mais 5.766 do que no ano passado. Viseu, à semelhança do que tem sido detetado nos anos anteriores, é o distrito com o maior número de pessoas idosas isoladas.

O aumento do número de idosos significa também que os portugueses vivem cada vez mais tempo. Nos anos 1960, a esperança média de vida para as mulheres era de 66 anos e para os homens 60. Agora, aos 65 anos, as mulheres podem esperar viver mais vinte anos e os homens mais dezassete, com o aumento da esperança média de vida para 80 anos, segundo dados de 2012.

Apesar disso, apenas metade dos indivíduos entre os 55 e os 64 anos estão empregados, enquanto a maioria dos pensionistas de velhice da Segurança Social (77,9%) recebe pensões inferiores ao salário mínimo nacional (485 euros em 2013). Aliás, Portugal surge colocado em sétimo lugar entre os países com maior percentagem de pessoas idosas que vivem sozinhas e abaixo do limiar da pobreza, e encontra-se acima da média da UE (23,6%). Esta realidade é apenas superada por países como o Chipre ou a Bulgária, onde a percentagem quase supera os 50%.

 

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