Os líderes estudantis pediram aos manifestantes para descarregarem o programa FireChat, que permite a comunicação mesmo quando as redes de internet não se encontram a funcionar, porque correu o rumor de que as autoridades da Região Administrativa Especial de Hong Kong se preparavam para bloquear os serviços de telecomunicações por causa dos protestos que decorrem no território.

Dezenas de milhares de estudantes encontram-se envolvidos nas manifestações em Hong Kong e pretendem manter os protestos até que Pequim dê garantias de respeito das regras democráticas, previstas na Lei Básica.

De acordo com a agência France Press, os programas de mensagens através de telemóveis não foram deliberadamente perturbados pelas autoridades.

“Eu sei que o sistema funciona para contactos com as pessoas que se encontram a uma curta distância sem que seja necessário ligar a internet”, disse à AFP uma estudante de 18 anos, Audrey Chan, na zona de Causeway Bay.

“Por isso, já descarreguei a aplicação para o caso da rede de internet falhar, para poder contactar as pessoas que se encontram à minha volta”, explicou.

“Há grupos no Facebook que têm sugerido a utilização do FireChat porque funciona quando a internet não está operacional”, disse uma outra manifestante, funcionária do comércio de 40 anos.

Lançada em março, a aplicação de mensagens eletrónicas do FireChta permite estabelecer ligações entre os contactos que se encontrem localizados perto uns dos outros, através do sistema Bluetooth, mesmo sem internet.

Quanto mais telefones estiverem ligados através da aplicação, maior se torna o raio de ação de projeção das mensagens, tornando esta aplicação numa ferramenta fundamental para contactos em manifestações como as que decorrem em Hong Kong.

A empresa proprietária da aplicação, a Open Garden com sede em S. Francisco, Estados Unidos, disse à AFP que 100 mil novos membros fizeram a descarga do programa em Hong Kong, no domingo, logo após a carga policial contra os protestos.

A companhia tem difundido mensagens de apoio aos manifestantes de Hong Kong através da página que mantém na rede social Facebook.

“Esperamos que o FireChat vos ajude. Lembrem-se que as mensagens não estão encriptadas. Tenham cuidado com o que dizem e não usem o vosso nome”, escreveu a Open Garden numa mensagem de apoio aos manifestantes que está a ser difundida através das redes sociais.

Muitos ativistas de Hong Kong receiam que as autoridades venham a encerrar as redes de telemóvel se os protestos se intensificarem.

“Receio que o governo corte as ligações e, por isso, quero ter a certeza de que tenho uma forma de contactar a minha família”, disse à AFP, a estudante Sarah Chan que utiliza o FireChat nas manifestações.