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Espaço

Os sons do espaço, num espaço que não tem som

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A música clássica de ópera ou a música electrónica podem fazer-nos viajar para o espaço, mas também as letras de algumas músicas. Siga as escolhas de cinco amantes da astronomia.

Há músicas que nos fazem viajar para o espaço

@ Miguel Claro

Mesmo nos filmes mais rigorosos as explosões e o trabalhar dos motores no espaço estão sempre associados a um som. Mas a verdade é que no espaço o som não se espalha. Sem atmosfera, água ou outro meio, as ondas sonoras não se propagam. Mas que interesse teria um filme de ficção científica silencioso?

Ainda assim, embora o universo não tenha sons melodiosos como o canto das baleias ou o do rouxinol, existem músicas que tendemos a associar ao espaço. “Also sprach Zaratrustra”, de Richard Strauss, é um desses casos. Pelo menos para Carlos Fiolhais, físico na Universidade de Coimbra: “A música de Strauss evoca a partida para o espaço. Quando a ouço imagino-me a subir ao espaço.” Oiça-a também e vai perceber porquê.

A música de abertura do filme “2001: Odisseia no Espaço” está associada ao espaço

“O poema sinfónico de Strauss foi composto em 1896, inspirado pelo livro de Friedrich Nietzsche com o mesmo título [‘Assim falou Zaratustra’, na edição em português]”, conta o divulgador de ciência, que escolheu esta música tanto pela celebração do nascimento de Richard Strauss há 150 anos, como por ser a abertura do filme “2001: Odisseia no Espaço”, de Stanley Kubrick – uma das sugestões de cinema ligado ao espaço.

O diretor do Observatório Astronómico de Lisboa, Rui Agostinho, também tem uma música que associa ao espaço: “Equinoxe” de Jean Michel Jarre, de 1978. “É música de espaço”, diz, pela semelhança que tem com as músicas dos filmes. “Dá para viver esse ambiente. Não é compassada, nem tem ritmos. As notas dos sintetizadores fluem.” Segundo Rui Agostinho, a música tenta contar a vida de uma pessoa, mas só quando é simulado o som da chuva somos transportados para a Terra. “Mas também pode ser um episódio de chuva em qualquer outro planeta.”

Rui Agostinho associa a música eletrónica ao espaço pela falta de ritmos e batidas

A música tem o poder de nos transportar para outro local, para o espaço ou para qualquer local à nossa escolha. A imaginação é o limite. Por isso Vasco Teixeira, responsável pelas atividades de astronomia no Museu Nacional de História Natural e da Ciência, escolhe a música “Life on Mars?”, de David Bowie (1971). “A ligação ao espaço é vaga e é a imaginação e a vontade de desafiar os limites humanos que a música nos inspira, que nos faz ir para além do título e pensar em viagens pelo Espaço, sem nos afastarmos da nossa forma de viver.”

Para deixarmos que a música nos leve para o espaço precisamos dar largas à imaginação

Com uma letra estranha, uma interpretação impenetrável e uma inspiração surreal, Vasco Teixeira admite que “Life on Mars?” não seja escolha mais imediata por isso lembra o Major Tom, um astronauta criado por David Bowie, presente nas músicas “Space Oddity“, “Ashes to Ashes” e “Hallo Spaceboy“.

Já a letra de “Brothers in arms”, dos Dire Straits (1985), é mais direta e, para Nuno Santos, inspiradora. “Lembra-nos que deve haver muitos mundos por por esse Universo fora, mas sugere-nos que seria bom aprendermos a viver juntos na nossa pequena Terra”, refere o astrónomo na Universidade do Porto.

There’s so many different worlds
So many different suns
And we have just one world
But we live in different ones

A letra (e o vídeo) que “simboliza metaforicamente a nossa capacidade de explodirmos e emitirmos a nossa verdadeira ‘luz e cor’ para o espaço” também motivaram a escolha de Miguel Claro, astrofotógrafo: “Fire Works”, de Katy Perry (2010). “Quando nos encontramos interiormente, quando expressamos de forma apaixonada as nossas capacidades, contagiando de forma vibrante os que se cruzam à nossa volta, fazendo-os sorrir… É nesse momento, que Terra e Espaço se tornam um só e é disto que a humanidade precisa, como um todo. Pessoalmente, é esse universo repleto de estrelas, vida, luz e cor que me fascina e onde encontro esse mesmo entusiasmo de que falo.”

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