Nuno Crato, ministro da Educação, quis sair do Governo na sequência do atraso na colocação dos professores, mas Passos Coelho recusou. A garantia foi dada pelo próprio primeiro-ministro que disse que Crato lhe tinha colocado o lugar à disposição.

“Tenho muita honra em poder dizer que o senhor ministro da Educação, tendo-me colocado na altura o lugar à minha inteira disposição, para que o primeiro-ministro pudesse decidir como entendesse, nunca evitou lavar as mãos, ou melhor nunca evitou agarrar o problema e nunca procurou lavar as mãos do assunto”, disse Passos Coelho durante uma visita a um centro escolar no concelho de Esposende, declarações apanhadas pelo microfone da TSF.

A conclusão para Passos Coelho é só uma: “Isso só significa que acertei quando o escolhi para ser ministro da Educação”.

À porta do centro escolar, esperava o ministro da Educação e o primeiro-ministro uma manifestação organizada pela CGTP. E apesar do ambiente mais hostil, o primeiro-ministro insistiu nos elogios ao ministro dizendo que este “mostrou um grande sentido de responsabilidade ao querer assumir o erro que se tinha cometido e corrigir”.

Com o ministro debaixo de fogo, Passos insistiu que o importante foi que o responsável pela Educação tivesse ficado para resolver os problemas: “Penso que é isso que se tem de exigir das pessoas que têm responsabilidades, não é que fujam das responsabilidades. Não é que sacudam as suas responsabilidades do capote, como se costuma dizer. O que se exige das pessoas em quem confiamos é que resolvam os problemas”.

Já quanto à solução para o problema, Passos Coelho garantiu que vão ser encontradas formas de compensar os alunos que “perderam estas semanas de aulas”, mas que a solução não será “igual para todas as escolas” até porque não se pode “sobrecarregar os alunos com aulas suplementares na medida em que a carga horário já é muito preenchida”.

As declarações do primeiro-ministro acontecem num dia em que a outra ministra debaixo de críticas, Paula Teixeira da Cruz, também falou em demissão. Disse a ministra da Justiça que depois de receber o relatório sobre o estado da plataforma informática, Citius, abrirá um inquérito interno. E questionada sobre se colocava a hipótese de demissão, a ministra referiu que essa é uma questão que “seria até do ponto de vista pessoal muito confortável, mas eu não faço as coisas antes de as deixar resolvidas”, respondeu.