Quando o assunto são as notícias sobre política ou governo, liberais e conservadores vivem em mundos diferentes. É o que conclui um estudo realizado pelo Pew Research Center que analisou a forma como os norte-americanos consomem as notícias. Há pouca sobreposição de fontes entre os dois grupos e o mais provável é discutirem política, na internet ou entre amigos, com pessoas que pensam de forma semelhante.

O projeto pretende dar algumas luzes sobre a polarização política nos Estados Unidos da América, pelo que olha para a maneira como as pessoas recebem informação relacionada com política em três contextos diferentes: notícias, redes sociais e a forma como as pessoas abordam estes assuntos junto de amigos ou família. O estudo foi realizado entre os meses de março e abril e teve em conta uma amostra de 2.901 pessoas, a quem foram feitas várias questões para determinar as inclinações políticas. Às mesmas foi pedido para dizer o que achavam de 36 meios de comunicação diferentes, do The New York Times ao Buzzfeed.

As ideias principais são estas: conservadores e liberais não só têm visões políticas diferentes, como a relação com os meios de comunicação é bastante díspar entre os dois grupos. Os liberais tendem a preferir a CNN, MSNBC, National Public Radio e o The New York Times, enquanto os conservadores pendem para o Fox News Channel e, em geral, confiam menos nas fontes noticiosas que não refletem o seu ponto de vista, explica o Miami Herald.

47% das pessoas consideradas mais conservadoras respondeu que a Fox News é a sua principal fonte de informação, enquanto outros 11% afirmou preferir a rádio local. A maioria dos conservadores disse que não confia em dois terços dos meios sobre os quais foram questionados — além da Fox News, disseram apenas confiar no Wall Street Journal, The Blaze, Breitbart, Drudge Report, além de programas de rádio com a voz de Rush Limbaugh, Sean Hannity e Glenn Beck.

Os liberais, por seu turno, confiam em 28 das 36 fontes noticiosas, sendo que a CNN é a principal fonte política para 15%, seguida da NPR (13%), MSNBC (12%) e The New York Times (10%).

Mas há mais informação a registar: os conservadores têm, por norma, mais amigos que partilham a suas visões políticas, além do hábito de ler informação no Facebook que seja capaz de reforçar as suas opiniões. Os liberais, por seu turno, apresentam maior probabilidade em “desamigar” uma pessoa no Facebook ou acabar com uma amizade real por conta de diferenças políticas.

Ainda assim, o estudo também sugere que nos EUA, hoje em dia, é praticamente impossível viver numa bolha ideológica.