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Segurança

Professores de escola do Cerco, Porto, apelam ao Governo para travar insegurança

“Como é que acontece um pai entrar na escola, chegar ao sítio mais recôndito onde está a professora e a agride?”, interrogou-se um professor depois de um episódio de violência no início desta semana.

Tiago Petinga/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

Professores da Escola Básica e Secundária do Cerco, no Porto, onde na terça-feira uma docente foi agredida pela mãe de uma aluna, apelaram hoje ao Governo para resolver os problemas de insegurança “em todas as escolas públicas”.

“Queremos tentar que estes casos não aconteçam em lado nenhum. Todas as pessoas têm de estar seguras no seu local de trabalho. Não vamos isolar os casos. São vários episódios em que a tutela nada faz para melhorar a situação. Os professores querem que a escola pública vá para a frente, mas com condições dignas”, alertou João Pereira, professor de Educação Musical, em declarações aos jornalistas.

“Pela não violência e convivência escolar” foi o mote da iniciativa que, durante o intervalo das 11:40, levou professores e alunos a darem as mãos num enorme cordão humano dentro da escola, ao mesmo tempo que duas funcionárias se esforçavam por controlar as constantes entradas e saídas dos estudantes, sem se aperceberem que os mais pequenos e magros passavam através das grades do estabelecimento para o exterior, onde vários pais empunhavam cartazes e gritavam “Não à violência” e “Somos todos iguais”.

Fonte do Comando Metropolitano da PSP do Porto disse na terça-feira à Lusa que uma mulher de 33 anos, mãe de uma aluna de 12 anos da escola do Cerco do Porto, agrediu pelas 12h45 a professora da filha com “murros e puxões de cabelos” depois de, no fim da aula, a docente ter recusado devolver o telemóvel à estudante.

“Como é que acontece um pai entrar na escola, chegar ao sítio mais recôndito onde está a professora e a agride”, questionou o professor Rui Santos, admitindo que, depois do episódio, é normal que os docentes pensem que algo semelhante “pode acontecer a qualquer momento”.

Rui Santos leciona há nove anos na Escola do Cerco, onde estima que estudem mil alunos, e diz nunca ter tido “nenhum problema” com estudantes ou pais. O docente reconhece, contudo, que há insegurança na escola e que já existiram “outros episódios [de violência] entre alunos”.

Nas declarações à comunicação social do lado de fora dos portões da escola, o outro professor, João Pereira, frisou que “o problema de segurança existe em todas as escolas” e que casos como o de terça-feira “acontecem com toda a gente”.

Pai da aluna de 12 anos envolvida no episódio de terça-feira, Adriano Cabreira, de 36 anos, disse à Lusa que “a professora não chegou a ser agredida”. “Ela é que agrediu a minha filha. Já viu o que é ter um arranhão de cima a baixo no braço? Ela chama animais aos alunos ciganos e não os deixa ir à casa de banho, quando deixa os outros que não são de etnia cigana”, lamentou o encarregado de educação, ele próprio de etnia cigana. “O que é isto? É racismo”, sublinhou.

O pai responsabiliza a direção da escola pelo problema com a filha, porque “há 15 dias, a mesma professora encostou a cabeça de um aluno cigano à parede e ameaçou-o com dois estalos”.

Carla Fontes, mãe de duas crianças que frequentam o quinto ano, queixa-se de “violência todos os dias, desde que começou a escola”. “Espancaram a minha filha e o meu filho mais do que uma vez. Já lá vai um mês e não resolvem nada. E não foram ciganos, foram portugueses”, afirmou.

Albertina Sousa, de 56 anos, é avó de uma aluna do 6.º ano e considera que o problema é que “as empregadas olham por alguns e o resto é lodo”.

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