Noah Galloway é protagonista e autor de uma história inspiradora. Por ter desafiado as convenções e por ter escrito a própria narrativa, que tem agora um final feliz. Passou de deficiente a melhor corpo do ano e é um exemplo para muitos.

Galloway decidiu seguir a vida militar no atentado às Torres Gémeas. Desistiu da faculdade e alistou-se no exército, seguindo para o Iraque . “Apreciei todos os momentos em que lá estive. Vivi no Iraque um ano, com os locais em patrulha o tempo todo. Só pensava: é isto. Quero isto para o resto da minha vida.”, conta à revista que o homenageou. Na segunda estadia no Iraque em 2005, uma explosão violenta durante uma missão projetou-o fazendo com que perdesse o braço e a perna.

Acordou já nos Estados Unidos, no dia de Natal, sentindo-se “acabado.” Deixou de sair de casa “sentava-me, bebia, fumava e dormia. Era tudo o que fazia.” Foi apenas em 2010 que sentiu o segundo chamamento: “Eu estava fora de mim.” Olhou-se ao espelho e conta que o restava dele estava sujo. Tinha de recuperar.

Primeiro objetivo: voltar a ficar em forma. Mas como? Só tinha uma perna e um braço, a ideia de entrar num ginásio assim “era uma vergonha.” Mas não podia ficar em casa, inscreveu-se num ginásio que estava aberto 24h e passou a ir às duas da manhã, “ninguém estava lá. Estava a começar do zero.” Os exercícios que conhecia só davam para fazer com dois braços e duas pernas, teve que reaprender, inventar “mexer com as coisas”. Os resultados eram uma novidade todos os dias: “Um bocadinho melhor naquele dia. Um bocadinho mais forte no dia a seguir. De repente tinham passado seis meses: A surpresa foi boa.”

O que Galloway não sabia era que tinha muita gente a olhar por ele. Os amigos aperceberam-se que saía todas as noites. O segurança do ginásio nunca lhe explicou que não podia entrar – o ginásio não estava autorizado a receber pessoas com deficiências – “eu via-o a mudar, a ganhar confiança” explica. Depois vieram as corridas. A primeira: cinco quilómetros, precisava de treinar mais o cardio. A seguir, os eventos de CrossFit. Um passo de cada vez até chegar à ‘corrida da morte’ uma corrida de 58 horas. Era a única solução.

“Olhava para trás e a minha depressão assustava-me. Não queria voltar a essa experiência. Foi por isso que voltei às corridas. O quer que me pusesse em movimento, não voltaria mais ao sítio de onde tinha vindo. Queria que as pessoas vissem mais do que as minhas feridas.”

Em 2014 quase tudo mudou. Noah explica que não passou a ser tudo fácil, mas passou a ser mais fácil lidar com tudo. E com mais companhia, tem 33 anos e três filhos. Corre, faz voluntariado em várias casas de veteranos, dá palestras em escolas, igrejas e associações.

Mas acima de tudo é um homem comum: não acabou o curso e tem vícios (sim, a capa de uma revista cujo nome é saúde tem um fumador). O seu medo era sofrer descriminação pela positiva: “ser a capa apenas por estar ferido.” Pediu que não o fizessem assim que foram anunciados os finalistas. Não foi descriminado. Para a Men’s Health, Noah Galloway tem mesmo ‘o melhor corpo do mundo’, “o corpo de um homem normal” explica o jornalista Mike Zimmerman.