Porque é que Portugal e Grécia responderam de forma tão diferente às políticas de austeridade impostas pelos programas de ajustamento da troika? Por causa dos níveis diferentes de clientelismo que existem nos dois países, escrevem três professores de três universidades europeias, no blogue da London School of Economics and Political Science, em Londres.

E se não sabe o que é o clientelismo, o dicionário Priberam dá uma ajuda: é a “maneira de agir, que consiste numa troca de favores, benefícios ou serviços políticos ou relacionados com a vida política”, seguido do exemplo que o tenho recupera: o clientelismo partidário.

A base para o artigo está na forma como o Governo português conseguiu negociar um consenso com os partidos da oposição, quando na Grécia, o entendimento foi mais difícil e chegou depois. Diz o texto que isto se deve ao facto de os partidos políticos portugueses dependerem menos deste tipo de troca de favores do que os gregos. Na Grécia, os políticos trocam mais produtos ou serviços por apoio aos partidos do que em Portugal.

A não dependência do clientelismo faz com que em Portugal tenha mais margem de manobra para implementar medidas austeras. Porquê? Porque a oposição não tem de se preocupar tanto em agradar aos apoiantes do partido.

“Partidos que dependem menos de ligações clientlistas têm maior margem de manobra para implementar reformas de austeridade, porque as suas fortunas eleitorais  estão menos dependentes da despesa pública como recurso eleitoral”, lê-se no artigo.

Alexandre Afonso, Sotirios Zartaloudis e Yannis Papadopoulos, autores do artigo, explicam que a ideologia é apenas um dos motivos que leva paridos a ganhar eleições. O outro é o clientelismo. Segundo os professores, os votos nas urnas também dependem dos recursos (empregos, rendas, investimentos ou privilégios) que os partidos estão dispostos a entregar a determinados grupos da sociedade, em troca de votos.

Os autores mediram o clientelismo com base numa série de indicadores: a extensão de uma espécie de patrocínio político, ou seja, quando os partidos compensam os apoiantes com empregos no setor público; a forma como os partidos se organizam, tendo em conta que os partidos das massas têm um conjunto de eleitores que podem ser mobilizados e recompensados; pelas relações que têm com grupos de interesse especializado, como os sindicatos.