A Direção-Geral de Saúde (DGS) fez esta terça-feira uma nova atualização dos números relacionados com o surto de Legionella. Até ao momento há 278 casos confirmados, dos quais cinco faleceram. Segundo, a DGS, “com ligação ao surto de Vila Franca de Xira foram reportados 45 novos casos desde ontem [segunda-feira]”.

Horas antes a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) já tinha divulgado um comunicado com um balanço da situação, em que apontavam para o mesmo número. Aos 264 casos na Região de Lisboa e Vale do Tejo – 48 doentes no Hospital de Vila Franca de Xira, 76 no Centro Hospitalar Lisboa Central, 73 no Centro Hospitalar Lisboa Norte e 67 distribuídos por diversos hospitais da região de Lisboa – acrescem um caso no Hospital de Vila Real e outro no Hospital da Figueira da Foz – ambos de alguma forma relacionados com o concelho de Vila Franca de Xira. Depois há ainda três pessoas internadas no Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco (uma delas entretanto transferida para Lisboa). E duas no Porto.

Além destes casos, foram ainda esta terça-feira conhecidos mais dois casos, avançados pela Sic Notícias, – um em Luanda (Angola) e outro em Lima (Perú). As pessoas adoeceram já no seu país de origem, depois de terem estado na zona de Vila Franca de Xira. De acordo com o comunicado da DGS, “tudo indica que a existência de casos no estrangeiro (…) também esteja ligada a este surto”.

Dos 264 na Região de Lisboa e Vale do Tejo, 40 estão a ser tratados em unidades de cuidados intensivos.

Ainda esta terça-feira, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, frisou que se estava a “verificar um desaceleramento” do número de casos.

Até ao momento há registo de cinco mortes: quatro no Hospital de Vila Franca de Xira e um no Centro Hospitalar Lisboa Norte. Mas a ARSLVT assegura que o plano de contingência hospitalar em curso “tem permitido uma resposta adequada e imediata a todos os casos que vão surgindo”. A infeção por legionella pode provocar uma pneumonia grave, especialmente em pessoas que já se encontrem fragilizadas – como idade avançada, problemas respiratórios, tabagismo e sistema imunitário comprometido.

“Procurou-se, com a resposta dada, permitir que todos os doentes tenham um nível de cuidados adequado à sua situação clínica, garantindo ainda que cada uma das Unidades Hospitalares mantém margem na sua capacidade de resposta, sem prejudicar o [seu] normal funcionamento”, lê-se no comunicado.

A bactéria Legionella foi detetada na sexta-feira no concelho de Vila Franca de Xira e todos os casos têm ligação epidemiológica com o surto deste concelho. No sábado, o Ministério da Saúde anunciou um plano de contingência para lidar com o surto e iniciou-se um inquérito epidemiológico.

A Doença do Legionário transmite-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.