Cerca de meia centena de ex-trabalhadores da Moviflor concentraram-se hoje junto à antiga loja na Bobabela, reaberta com o nome “Outlet de Móveis”, para alertar as autoridades sobre eventuais ilegalidades que prejudicam o pagamento das dívidas aos trabalhadores.

” Queremos chamar a atenção para uma situação que parece muito suspeita, que é a abertura desta loja que até há mês e meio era da Moviflor e agora aparece como ‘Outlet Móveis’ (…) e cujo acionista principal é o marido da dona da Moviflor, e as pessoas que estão lá a trabalhar eram nossos colegas e os móveis que vendem eram os da Moviflor”, contou à Lusa uma antiga trabalhadora, Lídia Oliveira.

Os trabalhadores, em protesto, gritavam palavras de ordem como “caloteiros”, “paguem o que devem” e “não vamos desistir” e, provavelmente por causa do protesto, à porta da loja dois seguranças vigiavam as movimentações na loja e o portão em frente à entrada estava encerrando, obrigando os clientes a entrar pela porta lateral onde fica o estacionamento.

Lídia Oliveira, que foi delegada sindical na Moviflor, diz que a empresa deve “milhões de euros” aos trabalhadores, por atrasos no pagamento de ordenados, subsídios de férias e de Natal e indemnizações por despedimento.

Segundo esta trabalhadora, o processo especial de revitalização (PER) da Moviflor “nunca foi aplicado” e não foram feitos os pagamentos aos trabalhadores previstos nesse plano.

Mónica Gomes trabalhou quase 25 anos na Moviflor e, juntamente com o marido, que lá trabalhava há 32 anos, foi recentemente informada, por carta registada, do despedimento coletivo.

“É revoltante porque demos tudo por esta empresa, trabalhámos ao fim de semana, prejudicando a família, e esta é a paga que recebemos.”, lamentou Mónica Gomes, defendendo que o Governo não devia admitir que a abertura da Outlet Móveis quando a Moviflor “deve milhões ao Estado e agora abre outra empresa que está a vender os móveis da Moviflor, que é a massa falida” da empresa.

A Lusa tentou contatar no local um responsável da Outlet Móveis, mas tal não foi possível.

O PER homologado pelo Tribunal do Comércio de Lisboa, a 17 de dezembro de 2013, previa a recuperação da Moviflor e o pagamento regular de salários, além do despedimento coletivo de centenas de trabalhadores.