O amor de mãe move montanhas e, neste caso, também vence jihadistas. Da Holanda à Síria, a distância torna-se muito relativa quando se trata de salvar uma filha. Monique partiu sozinha para a cidade de Raqqa com o objetivo de resgatar a filha de 19 anos, que tinha aderido ao Estado Islâmico mas que, arrependida, pedira ajuda à família.

Aicha, a filha, saiu da Holanda em fevereiro, para casar com Omar Yilmaz, um jihadista holandês que já tinha servido no Exército do seu país. Aicha converteu-se ao Estado Islâmico pelo marido.

Já em setembro, Monique disse à Dutch TV que a filha tinha mudado muito radicalmente de uma adolescente normal para muçulmana radical apaixonada por Omar Yilmaz. “Ela olhava para ele como se fosse o Robin dos Bosques”, contou à televisão holandesa, citada pela BBC.

Em outubro, pediu ajuda à mãe, dizendo que queria voltar a casa. Mas, nessa altura, a polícia foi clara e disse à mãe para não fazer nada por ser “demasiado perigoso”. Mais: Monique foi ameaçada de que se fizesse qualquer “tentativa de auxílio” aos extremistas do EI, podia ser sujeita até a “acusações criminais”, conta o Telegraph.

“Às vezes temos de fazer o que temos de fazer. Isto é o que eu penso que é correto”, disse Monique à família e amigos antes de partir, citada pelo mesmo jornal. A imagem da mãe holandesa está a correr os órgãos de comunicação social.

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Monique passou à ação. Marcou um encontro com a filha através do Facebook, vestiu uma burca e viajou da Turquia para Raqqa, a auto-proclamada capital do Estado Islâmico. As duas conseguiram escapar pela fronteira síria até à Turquia, onde Aicha foi presa por não ter passaporte. Entretanto, o ministério dos Negócios Estrangeiros holandês interveio e, assim, trouxe mãe e filha da Turquia de volta para a Holanda. “Ela queria vir para casa, mas não conseguia sair de Raqqa sem ajuda”, justificou a mãe.

O agora ex-marido ficou na Síria e já se manifestou no Twitter, referindo-se a Aicha como a “ex-mulher” que ele “supostamente matou, abusou e vendeu a um tunisino” está “agora na Turquia”.

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“É fenomenal que a mãe tenha conseguido encontrar e trazer a sua filha de volta”, disse Françoise Landerloo, advogada da família, em declarações ao jornal holandês Algemeen Dagblad, citada também pelo Telegraph.

Aicha é mais uma dos milhares de jovens que se tem envolvido com o Estado Islâmico e que, entretanto, pediram, poucos meses depois, para regressar a casa.

Segundo um relatório do Conselho de Segurança das Nações Unidas, nos últimos meses 15 mil pessoas de Estados ocidentais juntaram-se ao EI.