Efeméride

O monstro nasceu há 15 anos e continua a fazer amigos

1.219

"O Monstro Precisa de Amigos" consagrou os Ornatos Violeta como um dos maiores sucessos do rock nacional. Canções como "Ouvi Dizer", "Chaga", "Dia Mau" e "Fim da Canção" fazem hoje 15 anos.

Capa de "O Monstro Precisa de Amigos"

©D.R.

Autor
  • Sara Otto Coelho

Estranha forma de acordar / que é estar pronto pra dormir / abre a porta e vê se o mundo ainda é teu. Foram estes três versos que os fãs que correram às lojas no dia 22 de novembro de 1999 – quando ainda se compravam CDs em força – ouviram em primeiro lugar. Este sábado passam 15 anos desde que os Ornatos Violeta lançaram o segundo álbum, O Monstro Precisa de Amigos. Pouco tempo depois, chegava o fim da canção.

Manuel Cruz, Peixe, Nuno Prata, Kinörm e Elísio Donas só precisaram de dois álbuns para se tornarem num dos maiores fenómenos da música portuguesa. Apesar de se terem juntado em 1991, foram precisos seis anos para dar vida a Cão!. Mas foi com o lançamento de O Monstro Precisa de Amigos que a banda do Porto gravou o nome na história do rock nacional.

“Dia Mau”, “Chaga”, “Coisas” e o compasso de “Capitão Romance”, que contou com a colaboração de Gordon Gano, dos Violent Femmes, continuam a girar, seja nas rádios ou nos concursos de talentos da televisão. O teste do tempo foi superado. 15 anos de tempo, onde se inclui uma revolução na forma como se consome música.

Entre as 13 canções do disco há uma que se destaca desde o início. “Ouvi Dizer” já terá sido a banda sonora de muitos amores não correspondidos. Já se pintaram paredes com a frase “A cidade está deserta, e alguém escreveu o teu nome em toda a parte”, cantada ali por Vítor Espadinha. “Ouvi Dizer” continua a ser repetida até ao expoente da loucura e os Ornatos Violeta continuam a juntar admiradores. Há fãs com 15 anos de idade, tantos quanto o álbum.

Os cinco músicos nunca tinham tido tanto sucesso. E foi no auge que se retiraram. Os presentes no Hard Club, no final de 2002, na altura localizado em Gaia, assistiram ao último concerto dos Ornatos Violeta. Na altura, Manuel Cruz despediu-se com um “até um dia” e, desde aí, não terá passado um ano sem que a banda recebesse pedidos para que esse dia chegasse.

Manuel Cruz, que seguiu o percurso em projetos como Pluto, Supernada e Foge Foge Bandido, disse sempre que os Ornatos não iam voltar. Mas o que parecia impossível aconteceu em 2012, por altura das comemorações dos 20 anos da banda. Depois de um primeiro teste no festival Paredes de Coura, em agosto, seguiu-se a loucura dos Coliseus.

Entre 19 de outubro e 1 de novembro, os Ornatos deram sete concertos nos coliseus Micaelense, de Lisboa e do Porto, que se encheram de fãs ansiosos para testemunhar o momento e agarrar memórias. Era preciso aproveitar porque não iria haver mais, voltaram a dizer. Em 2012 recordou-se tudo. O início no Porto, o primeiro álbum em 1997, o auge e o fim. Este sábado, recorda-se O Monstro Precisa de Amigos.

Meu mal é ver que eu vou bem, meu mal é ver que eu vou bem, meu mal é ver que eu vou bem.

ornatos-paredes-coura

©Hugo Lima / Festival Paredes de Coura

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Efeméride

Maio de 68: 50 anos depois

João Carlos Espada

Contra os anseios revolucionários de Maio de 68, a França permaneceu “burguesa”, isto é, livre e democrática. Pôde assim absorver ideias de Maio de 68, que teriam sido esmagadas pelos comunistas.

Crónica

Elogio da Água

Carlos Lemos

Esta água é a mesma que vem das chuvas: a água que cria, que revitaliza, que regenera. Imagem perfeita do devir e do retorno, a água retoma o seu ciclo, na viagem que empreende entre o Céu e a Terra.

Crónica

A Parábola, a Pintura e o Pródigo

Filipe Samuel Nunes

O Filho Pródigo de Rembrandt alerta que a diferença masculino/feminino é essencial no quotidiano. E que os desdobramentos desta complementaridade nos comportamentos são absolutamente desejáveis.

PSD

Um eleitor de direita em 2019 /premium

João Marques de Almeida

Rui Rio comete um erro enorme: pretende impor uma pureza ideológica que o PSD nunca teve. Não há qualquer problema no PSD ser também social democrata. O problema é o PSD ser apenas social democrata.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)