Manuel Castro Almeida, secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, disse esta quarta-feira que é natural que daqui para a frente, tanto os laboratórios, como as universidades, como as empresas terão “mais facilidade” em aceder às redes de investigação europeias devido a Carlos Moedas ser o comissário europeu dessa área. Castro Almeida disse ainda que as negociações sobre os fundos estruturais com a Comissão Europeia foram difíceis na área da investigação, já que Bruxelas acusa os investigadores portugueses de não saírem das universidades para as empresas.

Num almoço com empresários portugueses e espanhóis, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, Castro Almeida disse que cabe às empresas que operam em Portugal fazer com que haja uma “transição de quadros qualificados das universidades para o sector privado”, acrescentando que houve problemas durante as negociações do Portugal 2020 porque o país é o “terceiro com maior número e investigadores”, mas está “na cauda da UE” no que diz respeito a integração desses investigadores na realidade empresarial.

Uma realidade que poderá mudar, agora que à frente da Investigação e Inovação na Europa nos próximos cinco anos está o português Carlos Moedas. O secretário de Estado diz que o seu antigo colega nem fará nada para promover esta mudança, mas acontecerá de forma natural que laboratórios, empresas e universidade acedam com “maior facilidade” a redes europeias de investigação que concorrem em conjunto a fundos do programa Horizonte 2020. Castro Almeida disse ainda que antes de a pasta de Carlos Moedas ser conhecida, ele já achava que era um dos melhores portefólios da Comissão para Portugal.

Falando sobre o novo programa quadro de ajudas comunitárias, o secretário de estado afirmou que os programas operacionais serão aprovados por Bruxelas até ao final do ano, altura em que deverão ser disponibilizados os primeiros concursos para empresas portuguesas – alguns concursos já foram iniciados, mas só para autarquia. “Primeiros movimentos financeiros devem acontecer até ao final do ano ou início de 2015”, acrescentando em declarações ao Observador que a comissária Corina Crețu, responsável pelo Desenvolvimento Regional, já admitiu que gostaria de ter metade dos programas de parceria fechados até ao final do ano. “O nosso objetivo é estar nesse grupo”, garante Castro Almeida.