É normal: antes de um jogo, saem do meio do campo algumas bocas de rega e, durante uns minutos, espalham água pelo relvado. É bom para a bola rolar e a partida não encravar. Nada disto implica chuva. Mas quando ela aparece, há limites. Um pouco não faz mal, se cair com força incomoda e, caso traga um dilúvio, aí há problema — pois também o relvado tem um limite para a quantidade de água que consegue absorver ou escoar. E o do Estádio António Coimbra da Mota foi atingido em 45 minutos.

Mais coisa, menos coisa. Os aguaceiros, durante a primeira parte do encontro de quinta-feira, para a Liga Europa, até foram companhia teimosa. A chuva caía, sim, mas o futebol fluía. E bem. Um, dois, três, os golos não paravam. Ao intervalo eram cinco e a balança pendia para o lado do Estoril. A equipa de José Couceiro ganhava 3-2 ao PSV, clube holandês, vindo de Eindhoven. Mas o intervalo apareceu. E o dilúvio rebentou.

Assim que os jogadores saíram para o balneário, um temporal fez cair água sobre a relva. Muita mesmo. O intervalo durou quase uma hora, à medida que os funcionários do Estoril iam tentando varrer a piscina do relvado. Não resultou. E o árbitro, vendo que, ali, a bola não ia conseguir rolar, adiou o encontro para o dia seguinte. Talvez não soubesse, mas Robert Schörgenhofer, o homem do apito, vindo da Áustria, também estava a adiar outro jogo.

E dos grandes. Com a decisão de reagendar o Estoril-PSV para as 16h de sexta-feira (os holandeses marcariam um golo e tudo acabaria num 3-3), o austríaco tornou o PSV-Feyenoord, marcado para as 15h45 de domingo, na Holanda, ilegal. As regras assim o obrigaram — o regulamento da Eredivisie, liga do país, dita que as equipas envolvidas numa partida tenham, pelo menos, 48 horas de descanso antes de um jogo do campeonato. “Há acordos mínimos que garantem que as equipas devem ter dois dias inteiros e duas noites de descanso entre os jogos”, confirmou o Feyenoord, no seu site oficial. Nada feito, portanto.

Coube então à KVNB, a federação holandesa de futebol, em conjunto com os dois clubes, arranjar outra data para o jogo. Falou-se e concordou-se: o jogo ficaria para as 19h45 de terça-feira, 2 de dezembro. Problema resolvido? Não, problema criado. Mas noutro sítio e por culpa de outras coisas. O duelo entre os dois rivais, e gigantes, do futebol holandês (PSV: 21 ligas, Feyenoord: 14) está marcado para o Philips Stadium, em Eindhoven e, terça-feira, não há comboios suficientes para transportar os cerca de 1.200 adeptos que virão de Roterdão para apoiar o Feyenoord.

A culpa aqui já é da Nederlandse Spoorwegen (NL), empresa que gere as linhas férreas e os comboios na Holanda. A entidade, queixando-se do pouco tempo disponível, diz que não consegue garantir o número de comboios suficiente para, após o encontro, levar os adeptos de volta para Roterdão, cidade que dista cerca de 110 quilómetros de Eindhoven. Ou seja, a partida também já não se realizará na terça-feira, como avançou o De Telegraaf. E eis que surge outro problema.

Agora, com este impeditivo, o diário holandês lembra que não resta nenhuma data para realizar o encontro até ao final do ano. Sobretudo devido ao PSV, que entre a Liga Europa, o campeonato e a Taça da Holanda, tem já encontros agendados de três em três dias. “Do ponto de vista desportivo, o melhor teria sido jogar na terça-feira. Mas, neste caso, os interesses dos adeptos têm mais peso. Nós queremos que o encontro se realize o quanto antes”, explicou Gijs de Jong, diretor da KVNB, ao revelar que “para a NS não é exequível” realizar o jogo nesta, ou na próxima semana.

A culpa, entretanto, foi andando para outros paradeiros. Mas tudo começou no Estoril.