Um ex-primeiro-ministro a visitar outro ex-primeiro-ministro na cadeia. Foi isso mesmo que aconteceu na tarde desta quinta-feira, quando António Guterres entrou no estabelecimento prisional de Évora para se encontrar com José Sócrates, ali detido preventivamente por suspeitas de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

Guterres chegou à prisão cerca das 16h15 e não quis fazer declarações ao batalhão de jornalistas que aguardam à porta. Saiu pouco depois das 16h35 e nada mais disse do que “encontrei-o muito bem”.

Cerca de uma hora antes, fora Fernando Gomes a visitar Sócrates. À saída, visivelmente emocionado, o ex-autarca do Porto admitiu que o impacto de ver o ex-primeiro-ministro detido foi maior do que o que esperava.

“Eu vinha para o animar, no fundo foi ele que me animou a mim”, disse, acrescentando que acredita “profundamente” na inocência de José Sócrates, que está preso em Évora desde 25 de novembro.

Fernando Gomes encontrou um homem “determinado a lutar” e “com a moral elevada”, preferindo não comentar algumas notícias que dão conta de que Sócrates estará a passar algumas dificuldades dentro da cadeia, nomeadamente no que diz respeito à falta de roupa própria para o frio.

“Quero crer que nada mais vai ser igual”, considerou o antigo autarca, que tem a esperança de “não voltar” à prisão de Évora, “espero que não passe cá tempo suficiente” para um regresso. Ao despedir-se, avisou: “Não é possível silenciar o eng. José Sócrates”.