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Comic Con

Comic Con, três dias a celebrar a cultura pop

O terceiro e último dia da primeira Comic Con em Portugal foi dedicado essencialmente a duas séries. Ação e história a fechar uma conferência com regresso marcado para os próximos anos.

O dia de domingo começou com menos gente na Exponor, por comparação com dia anterior. A enchente de sábado — cerca de 25 mil pessoas — superou as expetativas da organização e foi um sinal claro de que há gente interessada em conhecer, divulgar e partilhar influências e fantasias. É uma forma de cultura importante. É cultura pop. Mas o que se entende, afinal, por cultura pop? E qual é a importância dos comics na construção dessa cultura? Já lá vamos.

As estrelas do dia foram os três atores da série Da Vinci’s Demons: Elliot Cowan, Blake Ritson e o protagonista Tom Riley, foram recebidos por um auditório cheio, entre gritos e pedidos de casamento. Já na conferência de imprensa, admitiram que não estavam à espera desta receção. “É difícil perceber o impacto da série até virmos a eventos como este”, confessou Tom Riley, que interpreta a personagem de Leonardo Da Vinci.

Sempre com um sorriso, os atores falaram um pouco da nova temporada, ainda por estrear. As personagens, separadas durante a segunda temporada, voltarão a encontrar-se no mesmo espaço. Porém, elas já não serão as mesmas — algo mudou –, o que provocará uma alteração na forma como interagem entre elas. Elliot Cowan admitiu que a relação entre Da Vinci e Lorenzo Medici vai mudar, algo que irá também acontecer com Girolamo Riario. “A relação entre Riario e Da Vinci vai ganhar uma nova dimensão”, disse Blake Ritson. A relação entre eles “é profunda, complexa, e as coisas vão tornar-se complicadas”, acrescentou.

No que diz respeito à sua própria personagem, Riario, Blake Ritson disse que a próxima temporada poderá trazer complicações para “a vida já complicada de Riario”, adiantando que não surgirá, porém, qualquer interesse amoroso. “É uma pessoa adorável com um coração de ouro, só que é mal interpretado”, disse entre risos.

E em relação a Da Vinci? Tom Riley admitiu que haverá novas invenções desenhadas pelo artista, mas que “por serem desenhadas por ele, não significa que sejam verdadeiramente construídas por ele”, explicou. Quando questionando sobre o facto de a série não seguir à risca a biografia do artista italiano, Riley afirmou que “as pessoas têm uma ideia de como a série devia ser. Esta é a nossa versão do Da Vinci”, admitindo que se sente menos pressionado agora ao fim de três temporadas do que no início. “Ele era um artista. Penso que compreenderia” o porquê de a série ter sido escrita desta forma, comentou Cowan.

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Da esquerda para a direita: Elliot Cowan, Tom Riley e Blake Ritson — ©Hugo Amaral/Observador

Seguiu-se Clive Standen, conhecido pelo papel de Rollo na série Vikings. O ator revelou alguns pormenores da terceira temporada, acabada de filmar, e confirmou que haverá uma quarta.

Com um maior orçamento à disposição, nesta temporada foi possível criar cenas de batalhas ainda melhores e “gigantes”. “A terceira temporada é incrível, tem muitas batalhas navais”, referiu. Os vikings irão chegar a França e tentar conquistar Paris, e irá aparecer “uma pequena criança chamada Alfredo”, disse o ator, possivelmente referindo-se ao futuro rei Alfredo de Inglaterra. Em relação a Rollo, uma personagem que diz ter-se “tornado em mim” e que lhe pertence, referiu que se tornará uma espécie de pai para Bjorn, filho do irmão Ragnar.

Staden fez questão de frisar que o principal objetivo da série sempre foi torná-la o mais real possível. Para isso, todas as cenas de acção são feitas pelos próprios atores, sem recorrer a duplos ou a outros efeitos. Apesar das cicatrizes, Staden mostrou-se satisfeito por participar numa série que procura oferecer aos espectadores algo “original” e “com significado”. Tudo é feito para parecer o mais realista possível, para garantir que Vikings oferece uma experiência única.

Ainda em relação à série, salientou que esta é a primeira onde a história viking é tratada nesta dimensão. “Os vikings sempre foram os vilões em Hollywood”, comentou. “É ótimo fazer parte de uma série onde são o centro da história”. Mostrou-se um profundo conhecedor da história viking e escandinava, e disse ser um apaixonado por História. “É um trabalho de sonho para alguém que gosta tanto de História como eu”. “Sim, sou um geek”, disse rindo-se. A esse propósito, referiu a visita que fez recentemente a Sintra, que se parece “com Rivendell”. Apaixonado pelos filmes do Senhor dos Anéis, que disse serem uma obra-prima, afirmou que se pudesse interpretar alguma das personagens que “obviamente seria Aragorn”.

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Clive Standen — © Hugo Amaral/Observador

Os corredores do pavilhão de expositores estiveram sempre cheios. A circulação entre os diferentes espaços do recinto fazia do local um ponto de passagem, ali onde tudo se comprava e vendia, e onde apesar dos olhos estarem cada vez mais postos nos ecrãs, os livros continuam a manter uma posição de destaque. Afinal, foi com eles que tudo isto começou.

O Observador falou com Eva Prada, da livraria galega Banda Desenhada, que nos confessou que “os livros ficaram um pouco perdidos” com a popularidade crescente dos filmes e das séries televisivas. Hoje o negócio centra-se mais no merchandising, como por exemplo nas figuras de colecionador. Continua a vender-se de tudo um pouco, histórias, personagens antigas (super-heróis) e novas (The Walking Dead, por exemplo), mas o universo Disney e a banda desenhada europeia vende-se menos. Contudo, Eva Prada não hesitou um segundo: “os livros nunca vão morrer”.

Não faltaram mortos-vivos em nenhum dos três dias de conferências. Domingo lá andavam eles, os animadores The Walking Dead com uma corda ao pescoço, arrastados por quem os quisesse passear (literalmente) pelo recinto. Muito bem caracterizados, encarnaram o papel de zombies com uma dedicação exemplar.

Mas as iniciativas da FOX não se ficaram pelos The Walking Dead. O gigante americano renovou a parceira com o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) e instalou na Exponor um centro de colheitas de dádivas de sangue. Entrevistámos Maria João Medeiros, relações públicas do IPST do Porto, que nos disse que a ação de sensibilização para a dádiva recebeu muitos novos “dadores de primeira vez”, na esmagadora maioria jovens, indo ao encontro de um dos principais objetivos da campanha: angariar novos dadores de sangue. Durante os três dias do evento foram colhidas cerca de 200 unidades de sangue, o que Maria João Medeiros considerou um sucesso.

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© Hugo Amaral/Observador

Mesmo ali ao lado, estava montado outro pavilhão que foi outra das grandes atrações da Comic Con de Matosinhos. A ExpoSyFy (promovida, como o nome indica, pelo canal SyFy) apresentou algumas dezenas de peças originais (e algumas réplicas) de filmes famosos tais como O Exterminador Implacável, Enterrado, Aberto até de Madrugada, Pesadelo em Elm Street e, claro, Matrix. Um deleite para aficionados e curiosos, que motivou longas filas de espera — o acesso era condicionado.

Contas feitas, a primeira Comic Con foi um sucesso. Dezenas de milhares de pessoas encheram a Exponor, movidas pelo fantástico, pela ficção científica, pela ação e pelo terror. Durante três dias os visitantes e participantes partilharam o imaginário que nasceu nos livros e que depois passou para os filmes e séries de televisão, e que hoje alimenta uma indústria bilionária e por sua vez os sonhos de milhões de pessoas por todo o mundo.

Tudo isto é cultura pop, uma expressão que vai para além do popular e que aqui se traduz no culto específico do universo dos comics. E tal como disse por estes dias o apresentador Álvaro Costa (referindo-se à personagem “Tone” do filme Balas & Bolinhos“quando o significante se transforma em significado, isso é cultura pop”. E nesta primeira Comic Con Portugal, já estava por todo o lado.

Ao todo foram mais de 30 mil as pessoas que passaram pela Exponor, números que fazem subir a expetativa para os próximos anos. Há aspetos a corrigir, mas a organização mostrou-se confiante e espera conseguir atrair mais vedetas em futuras edições — o contrato com a organização portuguesa do evento foi celebrado por cinco anos.

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