Os detalhes do ataque talibã a uma escola militar em Peshawar, no Paquistão começam agora a ser conhecidos. Os relatos das crianças feridas no ataque dão conta da violência dos terroristas: além de terem disparado contra centenas de alunos, pelo menos três professores foram regados com gasolina e queimados vivos, informa o The Telegraph. A diretora da escola, Tahira Qazi, foi assassinada com uma granada.

Wasif Ali, um aluno da sexta classe, internado no Lady Reading Hospital, com ferimentos no abdómen e na cabeça, conta ao mesmo jornal como Tahira Qazi, os tentou proteger: “A nossa diretora mostrou extrema bravura. Não teve medo nem quando os terroristas estavam a disparar”. Quando se apercebeu do ataque, Qazi percorreu os corredores da escola militar, gritando para os alunos se trancarem nas salas de aulas. Cercada pelos atacantes, procurou refúgio na casa de banho e nesse momento foi ferida fatalmente, ao ser atingida por uma granada lançada pelos terroristas através de uma conduta de ar.

O número de vítimas do massacre poderia ter atingido proporções ainda maiores não fosse a coragem da professora de 24 anos Afsha Ahmed, segundo relatou Irfan Ullah, um aluno de 15 anos, aos jornais locais. “Ahmed foi tão corajosa. As suas últimas palavras para os terroristas foram: ‘Vocês têm de me matar primeiro. Eu não vou ver os corpos dos meus alunos prostrados à minha frente’. [Depois disto] ela estava em chamas. Mesmo enquanto estava a ser queimada viva, ela gritou-nos para que fugíssemos e procurássemos refúgio”.

Além de Qazi e Ahmed, também Hifsa Khush e Saeed Khan estão entre os professores que sacrificaram as suas vidas para salvar os alunos. “Todos os 900 alunos teriam sido mortos, se estes professores não tivessem aparecido no meio de tudo”, explicou Jaffar Gul, outra das crianças feridas no ataque.

De acordo com o jornal inglês, só foi possível identificar o corpo de Saeed Khan através dos anéis que trazia nos dedos, tal era a extensão das queimaduras. Morreu a tentar evitar que os alunos saíssem das salas de aulas onde se encontravam e fossem atingidos pelas balas disparadas pelos terroristas.

O ataque à escola militar vitimou 148 pessoas, entre as quais mais de 130 crianças.