António Pires de Lima colocou pressão sobre os trabalhadores da TAP ao avisar esta quinta-feira em entrevista à SIC que “os olhos dos portugueses estão todos postos no comportamento dos trabalhadores”.

O ministro da Economia prometeu “sanções graves” para quem não cumpra a requisição civil anunciada esta quinta-feira pelo Governo para a greve da TAP.

Pires de Lima lembrou os exemplos das requisições civis anteriores (sublinhando que estas foram feitas por dois governantes socialistas: o de Mário Soares e o de António Guterres) e disse que essas sanções podem mesmo ser “de índole criminal”.

O ministro defendeu assim a posição de força do Governo relativamente ao protesto, convocado para os dias 27, 28, 29 e 30 de dezembro, e que Pires de Lima considera que “põe em causa o interesse público”. “Não passaria pelo espírito de ninguém negociar com a chantagem da greve”, disse.

Até porque, segundo o ministro da Economia, o Governo “mostrou abertura” para uma negociação, mas foi confrontado com uma “decisão unilateral por parte dos sindicatos que condiciona a utilização pública de uma transportadora aérea que tem um papel fundamental na transportação de emigrantes para passarem a quadra natalícia”. Aliás, segundo Pires de Lima, a “reação deste Governo seria provavelmente diferente se não fosse época natalícia”.

O ministro Pires de Lima mostrou-se confiante que o funcionamento da TAP seja “próximo daquilo que é normal”, disse.

Quando questionado sobre a possibilidade de uma repetição daquilo que aconteceu na requisição civil de 1997, quando muitos funcionários da TAP apresentaram atestados médicos, Pires de Lima falou diretamente para os profissionais de saúde. “Não quero pensar que algum médico em 2014 desonre o seu nome e seja capaz de passar atestados falsos”, disse.

Sobre o processo de privatização, o ministro da Economia disse que “o Governo terá sempre alguma coisa a ver com a TAP”, rejeitou o “preconceito” da oposição que diz que uma “empresa privatizada não pode prestar serviços públicos” e defendeu que o projeto em curso é “mais prudente” do que aquele que foi anunciado pelo Governo há dois anos e que não foi recebido “com estas reações dos sindicatos”.