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A crise na economia russa deve-se a fatores externos, como a queda do preço do petróleo, defendeu esta quinta-feira Vladimir Putin, no seu discurso anual. As sanções económicas na sequência da crise na Ucrânia são responsáveis em 25% a 30% pela crise do rublo.

A grande intervenção do presidente da Rússia era amplamente esperada depois da forte desvalorização do rublo e da intervenção do banco central para tentar estabilizar a moeda. Os problemas recentes trouxeram à memória a crise de 1998, mas Putin garante que os problemas com o rublo devem-se a fatores externos e que internamente tudo está bem.

O rublo já perdeu mais de 40% do seu valor desde junho, numa altura em que os preços do petróleo estão em mínimos de cinco anos, um problema de especial importância para a Rússia já que o petróleo e o gás são dos principais produtos exportados pela Rússia.

Segundo Vladimir Putin, “no pior cenário, a Rússia precisará de dois anos para sair desta crise” mas que pode começar a recuperar mais cedo. O Presidente da Rússia diz estar certo que a situação vai voltar ao normal.

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Ainda assim, afirmou, uma queda maior no preço do petróleo pode vir a enfraquecer ainda mais o rublo. E, ainda que considere que as autoridades, no caso o Governo e o banco central, estão a tomar as medidas adequadas para impedir um aprofundamento da crise, admite que “algumas medidas podiam ter sido tomadas mais cedo”.

Vladimir Putin tentou passar uma mensagem de confiança, garantindo que todos os salários e pensões terão de ser pagos, e que o Governo russo terá de prestar atenção em especial aos mais vulneráveis.

Tudo vai bem na economia russa

O início do discurso de Putin até podia fazer crer que o rublo era uma moeda de outro país. Vladimir Putin começou por fazer um balanço muito positivo do ano de 2014 com muito otimismo à mistura.

Segundo o Presidente russo, a economia vai crescer entre 0,6% e 0,7%, o desemprego está baixo, a agricultura russa vai ter colheita recorde, o orçamento russo vai ter um excedente orçamental, a população cresceu e as capacidades militares da Rússia também.

Putin acusa Ocidente de criar novos muros

Questionado pelos jornalistas sobre as divisões na Europa na sequência da crise na Ucrânia, Vladimir Putin atirou as culpas paras as potências ocidentais. “Eles não pararam de construir muros” depois do final da guerra fria, diz Putin, que acusa ainda o Ocidente de expandir a NATO para território russo e de expandir o sistema antimíssil.

“A questão não é a Crimeia, estamos a defender a nossa independência, a nossa soberania e o nosso direito a existir, devemos todos entender isto”, afirmou em resposta a um jornalista que questionava se os atuais problemas económicos não eram o “pagamento” pela anexação da Crimeia.

Putin afirmou ainda que seria ingénuo pensar que o Ocidente iria deixar a Rússia em paz: “Eles vão sempre tentar colocar-nos correntes e, depois de nos terem acorrentado, vão tirar-nos os dentes e as garras”, afirmou.

(Última atualização às 10h30)