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O Estado Islâmico terá executado 100 dos seus combatentes estrangeiros que tentavam fugir de Raqqa, a cidade no norte da Síria que é usada como ‘capital’ do EI. Em Raqqa, foram ainda presos 400 dos seus próprios membros, numa altura em que a liderança do movimento terrorista começa a debater-se com problemas nas suas fileiras, noticia o jornal britânico Financial Times.

Para impedir a deserção nas suas fileiras, o EI está a criar regras muito rígidas para os seus combatentes. Segundo um ativista, citado pelo Financial Times, foi criado um regulamento com as regras que os combatentes do EI têm de seguir. Nesse documento, estabelece-se, por exemplo, que os combatentes que não se apresentarem nos seus departamentos nas 48 horas seguintes à receção do regulamento serão punidos.

Os combatentes passaram agora a ter uma identificação impressa com o seu nome, localização, secção e missão atribuída.

As mudanças devem-se, segundo outro ativista, ao descontentamento nas fileiras do EI. Entre as principais queixas, que não foram detalhadas por este ativista, está a impossibilidade de dizerem o que pensam e serem forçados a realizar tarefas que consideram inúteis ou menores.

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Os combatentes não estão satisfeitos com a mudança de paradigma do Estado Islâmico, que está agora a deixar de lado os combates para se focar mais na governação e gestão da área conquistada.

Foi mesmo criada uma polícia militar para controlar e perseguir os combatentes que não se apresentem ao serviço.

Outro dos problemas será a divisão crescente entre os combatentes estrangeiros e os restantes. Os combatentes estrangeiros já estarão a ficar desgastados dos combates e mantêm hábitos que estão a fazer perder a cabeça aos líderes do movimento terrorista, como o de comer snacks e usar gadgets que são símbolos do Ocidente.

Por outro lado, os combatentes nacionais sentem que estão a fazer a parte mais difícil do trabalho e assumir mais risco na frente de batalha, sem receber os benefícios dos estrangeiros, como é o caso dos salários elevados, a vida confortável e as mulheres escravas.