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“Eu tive aquilo a que se chama de anorexia nervosa porque sou uma pessoa ansiosa”. Quem o diz é Jessica Athayde num excerto de uma entrevista que deu ao projeto feminista Maria Capaz. Num vídeo, a atriz tenta explicar o que diz ter sido uma “luta diária” com graves consequências à mistura.

Durante um período indeterminado, Jessica Athayde não conseguia comer e chegou a ter problemas físicos. “Passei por uma fase horrível. E, nessa fase horrível, deixei de comer. (…) Passei a não ver bem. Não conseguia engolir uma bolacha, não tinha forças para me levantar”, explicou. Apesar das dificuldades que se foram acumulando, não descurou a carreira e continuou a representar — “Continuei a trabalhar, sempre”.

A entrevista, que só sai “daqui a umas semanas”, tal como a atriz anunciou num post publicado na sua página de Facebook, aborda uma luta pela qual passou há alguns anos. A conversa em vídeo é feita num registo pessoal e a preocupação, tendo em conta a forma como os media vão tratar o assunto, é real e evidente: “Peço à comunicação social que não use o meu nome com frases fora do contexto para vender revistas, pois é um tema que merece respeito”.

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Jessica Athayde no desfile da ModaLisboa, em outubro D.R.

A notícia da anorexia surge dois meses depois de a polémica em torno do desfile na ModaLisboa ter estado nas “bocas do mundo”. À data, Athayde foi alvo de críticas devido ao seu eventual excesso de peso. Pelas redes sociais proliferaram comentários negativos, na grande maioria de mulheres, que trouxeram de volta ao debate social as ideias “ditadura da imagem” e “corpo perfeito”. A resposta de Athayde não tardou e pôde ser lida no blogue pessoal num texto intitulado “Para mulheres reais”, no qual referia que o “bulliyng permanente” tinha de acabar e que em causa estava um caminho a ser percorrido por todas as mulheres.

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“Qual não foi a minha perplexidade quando observo que, a propósito de uma fotografia menos feliz, sou alvo de críticas, comentários desagradáveis e uma série de mimos, próprios deste mundo das redes sociais em que ainda nos estamos a habituar a viver. Estes comentários foram feitos na maioria por mulheres. Mulheres, vou repetir.

Mulheres que são filhas, mulheres que são mães, mulheres que ainda não perceberam que cada vez que cedem à tentação de atacar outra mulher com base nas suas características físicas, estão a enfraquecer a condição feminina, em vez de lhe dar força. Estão a cultivar as inseguranças, as desordens alimentares, a escravidão da imagem.”

Jessica Athayde, texto “Para Mulheres Reais”, do blogue Jessy James

As declarações dadas ao Maria Capaz — site que está online desde o dia 18 de dezembro e que conta, por enquanto, com a colaboração de 80 mulheres, de entre as quais destacam-se Iva Domingues e Rita Ferro Rodrigues — correm o risco de reacender a polémica, uma vez que as curvas de Athayde voltam a dar que falar. Importa, no entanto, salientar que a entrevista parece ser dada com um objetivo muito claro, o de servir de chamada de atenção para quem possa estar a passar por dificuldades semelhantes. “Eu escolhi esta plataforma porque senti e sinto que o assunto será tratado da maneira certa de forma a ajudar todas as mulheres que passam pelo mesmo”, lê-se ainda no post publicado na rede social Facebook.