O líder do partido grego Syriza, Alexis Tsipras, afirmou que a Grécia não pode pagar a sua dívida pública enquanto os credores insistirem no que considera ser tortura orçamental e garante que vai aumentar a despesa caso a coligação de que o Syriza faz parte ganhe as eleições do próximo dia 25.

Num artigo de opinião publicado hoje pelo jornal alemão Handelsblatt, Alexis Tsipras diz que a noção de que a economia grega estabilizou após quatro anos e meio de resgate é “uma distorção arbitrária dos factos” e que apesar de a economia ter crescido 0,7% no terceiro trimestre, a recessão não acabou porque a inflação foi negativa em 1,8%.

“Estamos a enfrentar um vergonhoso embelezar das estatísticas para justificar a eficácia das políticas da troika”, escreve Alexis Tsipras, cuja coligação tem estado na liderança das intenções de voto, à frente da Nova Democracia do primeiro-ministro Antonis Samaras.

O líder do Syriza tentou também tranquilizar os alemães, garantindo que “os contribuintes alemães não têm nada a temer de um Governo do Syriza” e que o objetivo do partido não é o confronto com os parceiros europeus, nem obter mais empréstimos ou um cheque em branco para os défices do país.

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Ainda assim, o Syriza diz que pretende um “novo acordo dentro das regras da zona euro” que permita ao Governo grego financiar o crescimento e restaurar a sustentabilidade da dívida grega.

“A dívida é que a dívida pública da Grécia não pode ser paga enquanto a nossa economia estiver sujeita a um constante waterboarding orçamental”, disse Tsipras, fazendo alusão à técnica de tortura usada pela CIA nos seus programas de contra terrorismo.