José Sócrates manteve-se sempre a par do que se passava dentro do Partido Socialista, mesmo durante o período em que esteve em França, conforme referiu o jornal i. José Almeida Ribeiro, antigo secretário de Estado adjunto de Sócrates e antigo conselheiro político de António José Seguro, foi apanhado nas escutas ao ex-primeiro-ministro, no âmbito da Operação Marquês, a reportar quase diariamente o que se passava no partido.

O teor preciso dessas escutas não é, porém, revelado pelo jornal.

A carreira de Almeida Ribeiro foi alternando entre os serviços secretos e a política. Mas surpreendeu sobretudo quando aceitou ser conselheiro de António José Seguro, rival de Sócrates no PS, no tempo em que Seguro liderou o partido.

Almeida Ribeiro entrou no Serviço Informação e Segurança (SIS) em 1989 onde seguia as movimentações da extrema-direita e extrema-esquerda, mudando para a política na década de 1990, quando integrou o gabinete de Mário Pinto, então ministro da República dos Açores. O regresso ao SIS foi interrompido durante um curto período de tempo enquanto assumiu o cargo de chefe de gabinete do então ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, e finalizado quando foi chamado por José Sócrates para estratego político e mais tarde secretário de Estado adjunto. No regresso aos serviços secretos, Almeida Ribeiro trocou o SIS pelo Serviço de Informações Estratégicas de Defesa que abandonou para se tornar professor no Instituto para as Políticas Públicas e Sociais do Instituto Universitário de Lisboa, função que mantém atualmente.

O jornal i tentou contactar Almeida Ribeiro para obter esclarecimentos sobre o assunto, mas o antigo espião recusou responder.