Uma equipa marcou três, a outra também, e mais meia hora de bola a rolar não deu em nada. Por isso houve penáltis e pontapés à espera de serem disparados a 11 metros da baliza. Ao todo foram 14 que, no fim, se dividiram num 7-6 que sorriu para o lado onde não estava um português. O Iraque ganhou e o Irão, treinado por Carlos Queiroz, perdeu e saiu nos quartos-de-final da Taça da Ásia. Os iranianos perderem e acabou por acontecer o que, pelas palavras do técnico, “só mesmo um erro arbitral” poderia causar.

À derrota, na sexta-feira, seguiu-se a reação do técnico, no domingo. Carlos Queiroz teve dois dias para pensar e matutar sobre o que haveria de escrever na sua conta oficial de Facebook. E quando o fez disparou críticas, que não se ficaram apenas pela arbitragem. “Novamente afastados por um escandaloso rumo de jogo que o arbitro optou por fazer”, lamentou o treinador, ao defender que a equipa teve de “jogar contra jogadores influentes que estavam ‘acelerados’ e com uma força ‘extra’ daquilo que ‘jantaram’ antes do jogo”.

Por jantar entenda-se doping. O uso de substâncias estimulantes e proibidas. O português protestou. “Foi exposto para todo o mundo que os jogadores iraquianos tinham doping”, indicou, já depois de ser noticiado que a federação iraquiana de futebol enviara uma queixa à Confederação Asiática de Futebol para reclamar a vitória no encontro. Porquê? Devido a um dos alegados casos de doping.

Os iranianos defendem que Alaa Abdulzehra, médio iraquiano, jogou quando não devia. O médio, argumentou Queiroz, “deveria estar suspenso” por, na época passada, ter falhado um teste anti-doping quando representava o Tractor Sazi — ou seja, quando era treinado pelo também português Toni, que esteve temporada e meia a dar ordens no clube. “O Irão tinha provas válidas que o jogador deveria estar suspenso. A FIFA deu razão que o jogo tinha que ser reavaliado”, revelou Carlos Queiroz, que ainda criticou o facto de a equipa “ter sido gravemente prejudicada pela equipa de arbitragem”, na tal partida diante do Iraque.

“A jogar com 10, ainda resistimos, contra todas as más decisões do arbitro. Estivemos a perder por duas vezes, e conseguimos empatar sempre. Infelizmente, aquilo que seria uma vitória para nós, foi um pesadelo perdido apenas nos penáltis”, admitiu Carlos Queiroz.

O português referia-se ao iraniano que foi expulso logo aos 10 minutos de jogo. “A vencer por 1-0 na primeira parte, com o jogo controlado, Mehrdad Pouladi após ser agredido pelo guarda-redes adversário é expulso por alegados ‘protestos’”, escreveu o treinador, sempre no Facebook, lembrando que o venceu “sempre” o Iraque em partidas anteriores, “inclusive num particular com a segunda equipa em campo”.

Com ou sem doping e suspensões, o Irão está fora da Taça da Ásia. Chegou aos quartos-de-final, mais adiante do que chegara no Mundial de 2014, onde os iranianos se ficaram pela fase de grupos e, referiu o treinador, foram também “prejudicados com um penálti claro por assinalar”, frente à Argentina. Tudo somado, Carlos Queiroz, que orienta a seleção asiática desde 2010, terminou com uma garantia: “Não é fácil treinar o Irão com tantos inimigos a torcer e a ajudar os nossos adversários.”