As empresas portuguesas de frutas e legumes estão a partir de hoje, quarta-feira, em Berlim na maior feira do setor ao lado da China, para onde esperam exportar em breve, para ultrapassar os preços baixos e o embargo da Rússia.

“Como temos produtos muito diferentes da China, vamos querer explorar a oportunidade de exportar frutas e legumes para China, que hoje está vedada pelas barreiras fitossanitárias e que é um objetivo importante para atingir os 200 milhões de euros de exportações até 2020, porque a China é um mar de oportunidades”, afirmou o presidente da Portugal Fresh (Associação para a promoção das Frutas, Legumes e Flores), Manuel Évora.

Desde há um ano que o Governo tenta abrir o mercado da China aos legumes e frutas e a necessidade é cada vez maior numa altura em que o embargo da Rússia, que consumia 300 toneladas de peras, abastece os mercados europeus e provoca a descida dos preços.

“Um país com tanta gente a consumir é sempre uma oportunidade para escoarmos facilmente as nossas frutas e legumes”, afirmou, dando como exemplo o caso do Chile que “há cinco anos teve uma superprodução de cerejas e teve uma enorme dificuldade” em colocá-las no “mercado a preços justos para os produtores e, através de um acordo com a China, resolveu o problema”.

Não só por ser única no mundo e haver novos projetos que apontam para o aumento da área de pomares e da produção das 200 para as 300 a 350 mil toneladas, a pera rocha será o produto de eleição para, à boleia, levar até à China outras frutas e legumes nacionais.

“É um produto que conseguimos exportar com muita segurança, porque resiste muito a viagens, não tem muitos termos de comparação com outras peras porque é genuinamente portuguesa”, explicou Manuel Évora.

Apesar das barreiras fitossanitárias, a Cooperativa de Fruticultores do Cadaval (Coopval) já faz chegar a Hong Kong desde há dois anos cerca de 40 toneladas anuais de pera rocha, na tentativa de experimentar novos mercados e despertar os consumidores chineses.

“É um produto diferente e, portanto, temos informação de que há quem aprecie”, afirmou o presidente da cooperativa, Aristides Sécio, à agência Lusa.

Sendo país parceiro da organização da Fruit Logistica, que decorre até sexta-feira, Portugal tem uma localização estratégica, estando este ano ao lado de países como a China.

“Como a feira já tem muitos anos, é normal que os grandes países que têm um histórico neste setor no mundo ocupem os melhores lugares. Portugal é um dos países mais novos a entrar e tinha de encontrar uma posição estratégica para captar ao máximo esses visitantes”, explicou Aristides Sécio.

Portugal apresenta-se ao mundo na feira com o dobro a área de exposição de 2014 e com o dobro das empresas, que investem nesta sua presença para darem a conhecer os seus produtos e concretizarem negócios no mercado da exportação.

A Fruit Logistica, que deverá receber 70 mil visitantes em três dias, realiza-se numa área equivalente a 17 campos de futebol, juntando mais de dois mil expositores de 141 países.

A produção de frutas e legumes rende por ano ao país 2.500 milhões de euros, dos quais 1100 milhões de euros foram obtidos em 2014 na exportação, de acordo com dados divulgados hoje pela Portugal Fresh.

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