Rádio Observador

100% português

Toino Abel: as cestas da aldeia que já apareceram na Vogue inglesa

2.703

Feitas à mão na aldeia da Castanheira, Alcobaça, as cestas da Toino Abel já chegaram à Nova Zelândia e às capitais europeias. O método de fabrico é antigo, mas elas circulam pela internet.

Uma das imagens da campanha de Primavera

Toino Abel

As cestas não deixam adivinhar, a campanha muito menos, mas a história da Toino Abel pertence a uma longa linhagem de homens. À frente da marca está Nuno Henriques, de 30 anos, e o nome vem do avô, António – “o António do Abel”, como se dizia, e ainda se diz, em algumas aldeias onde os habitantes são sempre filhos dos seus pais, e não só no apelido. “Na verdade era o meu tetravô que fazia as cestas”, conta o empresário. “Pelo menos foi até onde conseguimos recuar, não sei se alguém antes dele já as fazia.”

Nuno cresceu com as malas de junco a serem feitas em teares, na aldeia de Castanheira, Alcobaça, mas chegou à idade adulta vendo os teares cada vez mais parados. “Gosto de tudo o que são técnicas ancestrais e trabalho manual, e tenho um fascínio pelo objeto em si, mas infelizmente via as cestas paradas num sítio, parecia que estavam entregues à morte.”

No ano em que o avô morreu, Nuno resolveu lembrá-lo com uma marca que salvasse do mesmo destino uma técnica tão antiga. “A Toino Abel nasceu porque acho que as cestas podem viver no mundo, com a ajuda da internet, e chegar a novos públicos.”

Dos teares da Castanheira, as malas têm chegado a países tão remotos como a Nova Zelândia e a Austrália, através da loja online alojada na Etsy, e estão também em espaços físicos de cidades como Barcelona, Berlim, Londres e Porto, para além de já terem sido sugeridas na edição inglesa da revista Vogue. Há modelos tradicionais mas também em cores fortes ou com alças, para usar à tiracolo ou prender documentos, em coleções que têm o nome de igrejas da aldeia onde Nuno ainda vive: Santa Marta, Santa Rita, Senhora da Luz. Esse é o trunfo da marca: pegar numa herança tradicional, de ruralidade e nostalgia – quem não se lembra de levar a cestinha com o lanche para a escola? – e transformá-la num objeto de desejo do século XXI com um pormenor tão pequeno como um fecho em pele ou uma etiqueta onde um rapazinho (por sinal o pai de Nuno, quando era pequeno) carrega a sua própria cesta.

É tudo feito à mão por uma equipa pequena: Cidália Ricardo e Emília Pimenta começam por cortar molhos de junco com um machado, que dividem em fardos que são lavados, secos e branqueados numa arca com enxofre a arder. O junco é escolhido e dividido pauzinho a pauzinho. O que resiste e continua escuro é tingido em casa de Emília, em panelas que aquecem numa fogueira a lenha. Daí o junco passa para o tear, onde nascem os tamanhos e padrões das cestas, às riscas, ao xadrez, a fazer lembrar flores.

 

“A Cidália benze-se antes de começar a tecer o junco”, diz Nuno. No final, Lurdes Rodrigues cose as diferentes partes, dando assim forma à cesta, e Fernando Sousa faz as asas com ramos de verga entrelaçados. “Têm de ficar mesmo no meio para a mala não ficar pingona”, diz.

Consciente de que tudo isto corre o risco de acabar se o ofício não passar para mãos mais novas, Nuno não se limitou a criar a marca e acabou de abrir uma oficina, também na Castanheira, onde a ideia é ensinar a técnica às gerações mais novas. De tetravô para tetraneto, e por aí fora.

Nome: Toino Abel
Data: A marca foi criada em 2010, mas começou a ser desenvolvida em 2013.
Pontos de venda: Etsy, Coração Alecrim, Sardinha Fresh
Preço: 28€-64,40€

100% português é uma rubrica dedicada a marcas nacionais que achamos que tem de conhecer.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: adferreira@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)