Óscares

Há um português na lista de vencedores, sabia?

769

Gonçalo Jordão é muralista e foi responsável por pintar as paredes do cenário do lóbi "Grand Budapest Hotel", filme que venceu um Óscar na categoria de Melhor Direção Artística.

"Grand Budapest Hotel", realizado por Wes Anderson, estava nomeado em nove categorias, mas acabou por vencer em apenas quatro

©Martin Scali / D.R.

Autor
  • Diogo Pombo

Chamam-se Óscares, são estatuetas douradas e a Academia de Ciências e Artes Cinematográficas dos EUA (ou só “A Academia”, como é hábito dizer) entrega-os numa cerimónia que acontece em Los Angeles. Servem para destacar os melhores filmes, atores e realizadores e premiá-los em 24 categorias. Esta introdução não tem nada de novo — os Óscares são um costume que dura há 87 anos e quem nunca adiou a hora de ir para cama pela madrugada fora para assistir à cerimónia que coloque o dedo no ar. A novidade aqui é outra, pois este ano, no meio de tantos vencedores, há um português.

Eis, portanto, a introdução que interessa. Chama-se Gonçalo Jordão, tem 41 anos, é muralista e integrou a equipa técnica de “Grand Budapest Hotel”, filme distinguido na madrugada de segunda-feira com o Óscar de Melhor Direção Artística. O português foi uma de centenas de pessoas que passou meses e meses a trabalhar na longa-metragem dirigida por Wes Anderson e interpretada por atores como Ralph Fiennes, Adrien Brody, Murray Abraham ou Jude Law.

GonçaloJordão

Gonçalo é especialista em pintura decorativa. O telefone tocou e o convite apareceu para responsável por preencher as paredes do lóbi do cenário do hotel com murais de Caspar David Friedrich, um pintor alemão do século XIX. “Está nas minhas mãos isto sair bem feito. Se isto não sair bem feito, eles não vão por nenhuma cópia de uma imagem ampliada na parede”, confessou, em entrevista à revista Sábado, antes de cerimónia de entrega dos Óscares.

O filme retrata o dia a dia de um hotel da capital húngara, sobretudo do ponto de vista do porteiro. “Até chegarem os atores é pacífico. Quando chegam, chega o catering e, de vez em quando, ouve-se um grito: ‘Silêêênciooo!’ Ficava tudo calado e parado até que se façam as filmagens”, contou.

Formou-se em pintura decorativa na Fundação Ricardo Espírito Santo, “uma escola excecional”, como a apelidou. Sobre a experiência de trabalhar no filme que estava nomeado para nove categorias nos Óscares, o português chegou a dizer que a produção “confiava muito” em si. “Trabalhar com o Wes Anderson e com o Adam [Stockhausen, diretor artístico] foi gratificante, primeiro porque falávamos a mesma linguagem e depois porque o trabalho foi ficando a cada dia mais detalhado”, explicou.

O filme estava nomeado para nove categorias, mas Wes Anderson e os produtores do “Grand Budapest Hotel” saíram do Dolby Theatre, em Los Angeles, apenas com quatro estatuetas. Os Óscares, contudo, surgirem em categorias mais técnicas — além da Direção Artística, a longa-metragem foi considerada a melhor na Caracterização, no Guarda-Roupa e na Banda Sonora Original.

Nunca um português, nascido e residente no país, tinha constado na lista de vencedores dos Óscares que são atribuídos na cerimónia que, anualmente, agarra milhões de espetadores à transmissão televisiva do evento. Mas já houve quem estivesse, pelo menos, nomeado. “As Asas do Amor” e “A Rapariga com Brinco de Pérola” eram filmes que, em 1997 e 2003, estavam nomeados para o Óscar de Melhor Fotografia — pela qual Eduardo Serra era o responsável em ambas as películas.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Conflitos

Mediterrâneo

Luis Teixeira

Huntington defendeu, como Braudel, que a realidade de longa duração das civilizações se sobrepõe a outras realidades, incluindo os Estados-nação em que se supôs que a nova ordem mundial iria assentar.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)