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O saldo da balança de pagamento continuou positivo no ano passado, mas foi mais baixo do que em 2013, tendo-se fixado em 3,6 mil milhões de euros. Este valor representa a capacidade líquida de financiamento externo da economia nacional, correspondendo a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Este indicador baixou um ponto percentual face ao saldo alcançado no ano anterior.

Os dados divulgados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal indiciam que a melhoria do saldo externo verificada nos anos do ajustamento, um resultado assinalado pelo Governo, pode não ser sustentável em tempos de retoma económica, sobretudo quando o principal fator de crescimento é o consumo interno.

O principal contributo para a queda do saldo externo foi precisamente a degradação da balança de bens, cujo défice subiu o equivalente a 0,5 pontos percentuais do PIB, para nove mil milhões de euros. No ano passado, as exportações ainda cresceram, mas há sinais claros de travagem nesta componente com um progresso de apenas 1,7%. Já as importações cresceram 3,3% no ano passado.

Considerando os serviços, cujo comportamento é positivo, o saldo da balança comercial atingiu os dois mil milhões de euros. Uma das notas positivas nesta evolução foi o comportamento da rubrica viagens e turismo, em particular o crescimento em 12,4% das despesas dos turistas estrangeiros em Portugal.

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Outro fator de alerta é o aumento em 3,8 pontos percentuais da dívida externa líquida que se fixou em 182,4 mil milhões de euros no final de 2014, o que equivale a 104,5% do PIB.

A dívida externa líquida é calculada a partir da posição de investimento internacional de Portugal, excluindo as componentes de participação no capital de empresas e lucros reinvestidos de investimento direto, ações e outras participações de investimento de carteira, derivados financeiros, entre outros.