Afinal, o Irão não estava na iminência de desenvolver nenhuma bomba nuclear como garantiu Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, em 2012. Pelo menos a fazer crer nos relatórios dos serviços secretos de Tel Aviv agora tornados públicos e que prometem transformar-se num escândalo semelhante ao caso que envolvia os métodos de espionagem utilizados pela NSA.

Na altura, as palavras do primeiro-ministro israelita, proferidas em plena cimeira da ONU em Nova Iorque, fizeram soar os alertas da comunidade internacional. Binyamin Netanyahu não deixava espaços para dúvidas: “Até à próxima primavera, no máximo até ao próximo verão, se se mantiverem as taxas de enriquecimento de urânio, eles (Irão) vão terminar a segunda fase de enriquecimento e avançar para a última. Daí, serão apenas poucos meses, ou até semanas, para terem a quantidade suficiente de urânio enriquecido para [construírem] a primeira bomba nuclear”.

Todavia, os documentos agora revelados pela al-Jazeera e pelo The Guardian vêm contar uma versão diferente dos factos. É que, quando contactada pelos serviços secretos da África do Sul, a Mossad garantiu que o Irão “não estava a desenvolver uma atividade necessária para produzir armas de destruição massiva”, o que, se não desmente a versão do primeiro-ministro daquele país, retira-lhe grande parte do teor alarmista.

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Parte do relatório enviado pela Mossad aos serviços secretos da África do Sul

Agora, e perante estas revelações, os Estados Unidos estão a tomar medidas para se afastarem da posição israelita: a um mês das próximas eleições em Israel, Barack Obama não vai encontrar-se com o seu homólogo israelita, apesar de ser esse o protocolo comum entre os dois países, explica o The Guardian. Isto numa altura em que os iranianos estão dispostos a negociar no palco internacional o seu plano nuclear. Depois de anos de impasse, um acordo parece estar próximo.

Mas esta não é a única revelação na série de documentos agora divulgados – e a Mossad não foi o único serviço secreto a ver os seus relatórios tornados públicos. Foram também revelados detalhes sobre operações contra organizações terroristas como a al-Qaeda e o Estado Islâmico, mas também planos sul-coreanos para eliminar o líder da Greenpeace e operações dos serviços secretos russos.

Quanto aos EUA, debaixo de fogo desde que Edward Snowden revelou os métodos de espionagem utilizados pela NSA, as novas revelações podem colocar, mais uma vez, o país no centro das críticas: a CIA terá tentado estabelecer contacto com o Hamas, mesmo depois da proibição do Governo norte-americano – os EUA são um dos países que consideram o Hamas uma organização terrorista. E também Barack Obama se viu recentemente envolvido neste escândalo: o presidente norte-americano terá, alegadamente, ameaçado o presidente da Palestina de retirar uma proposta para o reconhecimento da Palestina na ONU.

Até ao momento, a informação disponível ainda é reduzida e ainda não é possível perceber a verdadeira dimensão do escândalo, pelo que os próximos dias poderão trazer desenvolvimentos importantes.