O Chipre e a Rússia anunciaram esta quarta-feira terem chegado a um acordo militar que vai permitir aos navios de Moscovo atracarem nos portos cipriotas. O reforço da cooperação militar entre os dois países pode criar mal-estar em Bruxelas.

Numa altura em que o conflito na Ucrânia continua a dominar as discussões nos bastidores da União Europeia, este acordo pode ter impactos diplomáticos significativos tendo em conta que o Chipre é membro da União e que acolhe no seu território várias bases militares britânicas. Além disso, e apesar do acordo de cessar-fogo assinado entre Putin e o recém-eleito Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, continuam a registar-se confrontos em várias cidades ucranianas, que têm alimentado várias trocas de acusações entre as duas partes do conflito – separatistas pró-russos e forças de Kiev.

Na quinta-feira, Putin, em visita ao Chipre, revelou que o acordo agora celebrado tinha como objetivo aumentar a cooperação dos dois países em matérias como a luta contra o terrorismo e a pirataria. Talvez por antecipar que este acordo iria causar mal-estar em Bruxelas, o Presidente russo fez questão de sublinhar que a cooperação militar entre os dois países não teria como alvo qualquer terceira parte.

De acordo com o jornal cipriota In-Cyprus, Moscovo tem procurado obter a permissão para atracar os seus navios em várias partes do Mundo. O objetivo? Conseguir contornar o embargo decretado por alguns países do Ocidente desde que a crise ucraniana rebentou e reforçar a sua presença militar.

Ainda esta quarta-feira, o Presidente do Chipre, em visita de três dias à Rússia, tentou colocar alguma água fervura e diminuir a tensão que se sente entre Kiev e Moscovo. “Estou consciente dos problemas causados pela crise ucraniana nas relações entre a União Europeia e a Rússia. A nossa posição desde o início é que a crise só pode ser resolvida através de meios diplomáticos e não de medidas militares. Desde o início, temos dito que as sanções não só prejudicam a Rússia como também os outros Estados-membros, em particular os Estados que dependem ou têm ligações à Rússia”, defendeu Anastasiades.