“Como é que se forma um buraco negro tão grande em tão pouco tempo?”. A interrogação parte do próprio coordenador do estudo sobre o buraco negro gigante – SDSS J010013.021280225.8 -, Xue-Bing Wu, investigador na Universidade de Pequim, na China. O buraco negro que ainda só tem nome de código têm uma massa equivalente a 12 mil milhões de vezes à do nosso Sol e ter-se-á formado 875 milhões de anos depois do Big Bang, segundo refere a National Geographic.

Um buraco negro é uma região no espaço onde a gravidade é tão forte que nada lhe escapa, nem mesmo a luz. A força da gravidade é grande porque existe muita matéria compactada num espaço pequeno. Os buracos negros gigantes podem fazer parte do centro de atividade das galáxias.

Uma das teorias para a formação de buracos negros é que se tenham formado depois do colapso de estrelas gigantes, com várias centenas de vezes o tamanho do Sol. As estrelas que se formaram e colapsaram depois do Big Bang estavam rodeadas de gases que foram alimentando os buracos negros recém-formados. Mas esta ideia não parece funcionar com um buraco negro tão grande. As explosões de luz no quasar onde se encontra teriam afastado os gases e poeiras em vez de os aproximar.

Um quasar significa fonte de emissões rádio quase estelares (quasi-stellar radio source). Embora, na verdade, emitam muito poucas ondas rádio, os quasares são dos objetos mais brilhantes e mais distantes que se consegue ver. Podem ser mais brilhantes que uma galáxia, que tem milhares de milhões de estrelas. E têm normalmente um buraco negro gigante no centro.

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Avi Loeb, diretor do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard (Estados Unidos), não esteve envolvido no estudo, mas propõe algumas hipóteses para a formação deste buraco negro gigante, segundo a National Geographic:

  • Duas ou mais galáxias podem ter colidido, fundindo os buracos negros. Se, e só se, estes tivessem a mesma massa, caso contrário o mais pequeno seria afastado.
  • Se tiver tido origem numa estrela que colapsou, esta poderia não ter centenas nem milhares de vezes a massa do Sol, mas milhões de vezes. “Não há nenhum máximo fundamental a que a estrela possa chegar”, disse Avi Loeb. Mas também não há evidências de que essas estrelas alguma vez tenham existido.
  • Os buracos negros atraem e incluem gases a um ritmo mais rápido do que se considerava até agora.

Mas como é que se vê um buraco?

De um buraco negro nada escapa, nem mesmo a luz, portanto os buracos negros não se vêm. Para se encontrar este gigante, a equipa de Xue-Bing Wu teve de apontar os telescópios – na China, Hawai, Arizona e Chile -, para o quasar onde está localizado o buraco negro. “Este é o maior monstro alguma vez detetado em termos de luminosidade”, disse Avi Loeb. Este quasar é 40 mil vezes mais brilhante do que a Via Láctea.

Os investigadores que participaram no estudo publicado na Nature também estavam impressionados com o brilho do quasar, sinal de que o buraco negro é tão grande que aquece muito os gases presentes. “Vimos outros quasares deste período, mas nenhum tinha a massa de mais de três mil milhões de vezes o Sol”, disse Xue-Bing Wu.

Comparado com o gigante agora encontrado – com uma massa 12 mil milhões de vezes à do Sol -, o buraco negro da Via Láctea, embora gigante, parece muito mais pequeno. O Sagittarius A tem uma massa equivalente a quatro milhões de vezes o Sol, e podia conter no interior vários milhões de planetas do tamanho da Terra.