Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Depois da entrevista de Pedro Passos Coelho ao semanário Expresso, onde o primeiro-ministro disse que António Costa pode vir a ser “um desastre” para as contas públicas do país, chegou a resposta do secretário-geral do PS no discurso de encerramento do encontro nacional de autarcas socialistas. “Sejamos práticos: se quer comparar o que fez com a dívida eu comparo o que fiz com a minha dívida. Eu reduzi a dívida que herdei em 40%, o senhor primeiro-ministro aumentou em 18% a dívida que herdou. Esta é diferença entre quem gere bem e quem gere mal”.

Grande parte do discurso de António Costa foi, aliás, voltado para as críticas ao atual Executivo liderado por Passos Coelho. Se na entrevista ao Expresso, o primeiro-ministro tinha afirmado que as ideias do PS “são outro conto de crianças”, António Costa, por sua vez acusou o Governo PSD/CDS de ter “aterrorizado” os funcionários públicos e de “espalhar o caos” no país.

“[O Governo escolheu] aterrorizar os funcionários públicos, cortar nos salários, sacrificar direitos e até se permitiu, violando a Constituição, intrometer na autonomia do poder local para impedir as autarquias de continuarem a praticar o horário das 35 horas como queria e como era racional que o continuassem a fazer”, afirmou o ainda presidente da Câmara de Lisboa.

Mas as críticas de António Costa não ficaram por aqui. O líder do PS acusou ainda Pedro Passos Coelho de “encerrar serviços, deixando as populações ao abandono, deixando território sem serviços” e “de fazer cortes cegos, que começaram por criar o caos no sistema de justiça, levaram o caos à abertura do ano lectivo (…) e ao caos instalado nas urgências e que é uma vergonha no Portugal do século XXI”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Para António Costa, esta é a consequência da má governação e do rumo escolhido pelo “maior produtor de burocracia para as autarquias, para o Estado e para as empresas que existiu desde o 25 de Abril”. E é a para colocar um ponto final nessa situação que o secretário-geral dos socialistas prometeu fazer da descentralização “a reforma do Estado que em vamos fazer e que vai marcar a próxima legislatura”.

E quais serão as primeiras medidas dessa reforma? António Costa levantou ligeiramente o véu e anunciou que, caso seja eleito primeiro-ministro, vai criar “uma loja de cidadão em cada concelho” e rever o mapa judiciário, garantido que “serão realizados julgamentos” em “todas as sedes de concelho”. O líder do PS mostrou ainda abertura para, ouvindo os autarcas, discutir e repensar o mapa administrativo. Um mapa “traçado a régua e esquadro” pelo atual Executivo e que foi desenhado sem ouvir quem de direito, acusou Costa.

O secretário-geral socialista criticou, ainda, a “resignação com que o primeiro-ministro apresenta perante uma taxa de desemprego que está acima dos 13% e um nível de pobreza que atingiu um nível histórico e que hoje é uma vergonha para todos os portugueses e uma mancha em Portugal”. Para Costa, “essa resignação é a confissão do falhanço e de quem nada mais de novo tem de dar ao país e ao futuro de Portugal”.