Parece uma cena tirada de um filme futurista, mas a proposta é bem real e atual. Norman Foster, conhecido pelas obras de arquitetura de alta-tecnologia, apresentou um plano de 220 quilómetros de ciclovia em Londres, conforme noticia o Guardian. Nada de especial até aqui não fosse o projeto prever que as ciclovias fossem construídas por cima das linhas de caminho-de-ferro suburbanas.

A rede de ciclovias SkyCycle, que pretende ser “uma forma alternativa de arranjar espaço numa cidade congestionada”, segundo o arquiteto, teria 15 metros de largura e 200 pontos de entrada. Cada uma das dez faixas de rodagem permitiria a circulação de 12 mil ciclistas por hora. “Ao utilizar corredores por cima das ferrovias suburbanas poderíamos criar a melhor rede de ciclovias, seguras e sem carros, e localizadas em sítios ideias para os utilizadores”, disse Norman Foster.

Como a linha de caminhos-de-ferro de Londres foi construída a pensar nos comboios a vapor da altura segue contornos que reduzem naturalmente a energia gasta, evitando, por exemplo, planos inclinados, lê-se na página de empresa Foster + Partners. Os ciclistas desfrutariam destes percursos energeticamente económicos, com a vantagem de pouparem energia também por não terem de estar sempre a parar nos semáforos.

Além disso, este projeto pode ser uma boa proposta para satisfazer as necessidades do presidente do município londrino que pretende melhorar as condições de circulação na cidade, incluindo os ciclistas e peões. “Para melhorar a qualidade de vida para todos em Londres e incentivar uma nova geração de ciclistas precisamos de torná-lo mais seguro”, disse Norman Foster.

A ideia pode ainda não passar de uma utopia, mas Sam Martin, da empresa Exterior Architecture também envolvida no projeto, tem um sonho ainda maior. “O sonho é que pudesses acordar em Paris e ir de bicicleta até à Gare do Nord. Depois apanhar um comboio até Stratford e ir de bicicleta até ao centro de Londres em minutos, sem me preocupar com camiões e autocarros.”

Estima-se que o custo de construção desta rede de ciclovias chegue aos dez mil milhões de libras (cerca de 14 mil milhões de euros), refere o El Pais. Mas os autores argumentam que é muito menos do que construir todos os túneis e carris que a cidade precisaria para fazer circular a população que não para de aumentar.