Depois da notícia da ausência de descontos de Passos Coelho para a segurança social entre 1999 e 2004, choveram críticas, em particular, do PS. Agora, vários elementos ligados ao PSD estão a espalhar pela internet um recorte de jornal do antigo Tal & Qual, em que se diz que o atual secretário-geral socialista não pagou a “contribuição autárquica” na altura em que era ministro da Justiça (1999-2002). O jornal fechou em 2007 e o artigo não está disponível online.

Entretanto, António Costa já reagiu à polémica e desmentiu que alguma vez tenha ficado a dever “qualquer quantia relativa à sisa ou à contribuição autárquica”.

“Dirigentes do PSD reeditaram hoje uma ‘notícia’ do extinto semanário Tal & Qual, publicada no ano 2000 (ou 2001). O desmentido que então fiz mantém plena atualidade: não devo nem devi qualquer quantia relativa à sisa ou à contribuição autárquica”, garantiu Costa em nota enviada ao Observador.

A polémica estalou quanto vários representantes do PSD publicaram no Facebook a notícia que consta no extinto jornal.

antonio costa

A imagem consta, por exemplo, no perfil de Facebook de Carlos Sá Carneiro. O assessor de Pedro Passos Coelho escreveu um texto em que acusa o PS de estar a “atirar pedras mal espreita uma pequena oportunidade”, depois de Sónia Fertuzinhos, vice-presidente da bancada socialista, ter dito que o PS “não aceita as explicações” do PM para os cinco anos em falta de contribuições.

“Da esquerda radical quase tudo se espera. Mas de um partido com ambições governativas aguarda-se uma postura menos inflamada. Não foi o que aconteceu com “este PS” e com sua a porta-voz destacada (Sónia Fertuzinhos) para a intendência, que pretendeu cavalgar uma falha – assumida e explicada – de uma obrigação que, apesar de prescrita, foi voluntariamente regularizada. Um PS cheio de telhados de vidro que desata a atirar pedras mal espreita uma pequena oportunidade.”

Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD, também se manifestou na mesma rede social com o mesmo recorte do Tal e Qual. Fala em “telhados de vidro” e ironiza: “daqui a pouco andaremos em busca das multas de estacionamento e das faturas sem número de contribuinte”. Junto à imagem de António Costa, escreveu:

“Tudo isto é lamentável! Não é assim que se deve fazer política! Contudo, a velha máxima que ensina: “quem tem telhados de vidro deve ser prudente a atirar pedras” tem aqui plena aplicação. Era inevitável – este escarafunchar na arqueologia pessoal de cada um pode não deixar ninguém incólume. Daqui a pouco andaremos em busca das multas de estacionamento e das faturas sem número de contribuinte. Nada que não tenha já acontecido à esmagadora maioria dos cidadãos (exceto os “anjos sem asas” que pululam nos fóruns das rádios e TV’s) mas que uma onda puritanismo hipócrita tenta elevar à esfera do mínimo ético indispensável de todos os quotidianos. Repito: não pode ser assim que se faz política!”

Noutro registo, mas também em defesa de Passos, o deputado Duarte Marques passou ao ataque ao ex-presidente da Segurança Social e ao presidente dos Técnicos Oficiais de Contas, que esta segunda-feira vieram criticar o comportamento de Passos Coelho no caso das contribuições. Num post no Facebook, o ex-líder da JSD acusa  primeiro Edmundo Martinho: “Tem o desplante de acusar o PM quando o próprio foi incompetente”. E depois o presidente da OTOC, Domingues Azevedo:

“Ex-Deputado do Partido Socialista durante várias legislaturas, que de manhã fala pela OTOC e de tarde pelo Partido Socialista do qual é dirigente. Lidera a Comissão de Auditoria e Contas do Partido Socialista e passa a vida a fazer fretes ao PS sob a capa de Bastonário. Esta mistura de planos é lamentável, embaraçosa e revela falta de pudor (…). Passos errou, é verdade. Critique-se, mas não inventem tratamentos de favor ou amnistias especiais”.