Em 2014, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentou a sua produção: foram realizadas mais consultas e mais cirurgias. Mas esta tendência de crescimento, especialmente nas cirurgias, pode esbarrar num obstáculo: a falta de anestesiologistas, alertou esta terça-feira o ministro Paulo Macedo, na sessão de abertura da 4ª Conferência TSF/Abbvie, cujo tema é “sustentabilidade na saúde”.

“O número de cirurgias não continuará a aumentar por causa não do número de blocos, não de financiamento, mas porque não há anestesiologistas. Temos de perceber muito bem, por um lado, como aqui chegámos e, por outro lado, como vamos resolver o problema”, avisou Paulo Macedo, acrescentando logo de seguida que o “Ministério da Saúde recruta todos os médicos disponíveis” e repetindo a ideia que “o Ministério da Saúde é quem recruta mais pessoas e diferenciadas em Portugal”.

Numa conferência centrada na sustentabilidade do SNS, o governante fez questão de lembrar que, durante o período de 2011 a 2014, quer através de financiamento aos hospitais para regularização de dívidas, quer através de aumentos de capital, quer através de conversão de dívidas em capital, o valor disponibilizado para os hospitais foi maior do que nos três anos anteriores, apesar da crise.

Paulo Macedo fez ainda uma referência à tão esperada e questionada reforma estrutural do SNS. “Não sei se alguém pensava que uma reforma estrutural se fazia em quatro anos ou num ano, ou que seria uma espécie de ‘big bang’. Para nós uma reforma estrutural tem um conjunto de eixos, dos quais salientamos a criação de centros de excelência e a alteração da situação económico-financeira dos hospitais”, destacou o ministro.

Entre outras referências àquilo que de bom se conseguiu em termos de indicadores em saúde, aproveitando alguns dos elogios feitos pela Comissão Europeia num relatório divulgado na semana passada, o ministro deixou um último recado, dirigindo-se ao aumento do custo da tecnologia. “Terá de haver novas fontes de financiamento porque temos um outro tipo de inovação. Isto tem de ser discutido e de uma forma séria”, rematou.