Portugal está entre as dez economias em que será mais “doloroso” viver e trabalhar em 2015, segundo uma lista elaborada pela Bloomberg, que analisa 51 economias mais ricas, num grupo que, em média, tem um produto interno bruto per capita de 31.079 dólares [27.804 euros]. O ranking é liderado, com grande distância, pela Venezuela, e o pódio integra, também, a Argentina e a África do Sul.

O trabalho da agência baseia-se no “índice de miséria”, misery index, conforme é designado pela Bloomberg, que resulta da soma simples de dois indicadores: a taxa de desemprego e a taxa de inflação previstas. Portugal ocupa o décimo lugar da classificação, ao apresentar melhores condições do que os três países citados, além da Ucrânia, Grécia, Espanha, Rússia, Croácia e Turquia.

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Milton Cappelletti

A deterioração registada na situação da Venezuela antecipa uma previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que aponta para uma contração de 7% no produto interno bruto do país durante o ano corrente. A par desta recessão, o país apresentará o mais elevado ritmo de crescimento dos preços, que se situará a caminho de 64%, com o desemprego a subir, em resultado da queda dos preços do petróleo que está a deixar a Venezuela com escassas reservas de dólares para pagar as importações de bens básicos.

Para a Argentina, assinala a Bloomberg, está prevista uma queda de 1,4% na atividade económica, em parte como resultado das restrições às importações que foram impostas com o objetivo de travar a degradação das reservas em divisas, depois do incumprimento assumido pelo país em julho passado, perante credores que, junto da justiça norte-americana, conquistaram o direito de serem reembolsados pelo dinheiro investido quando do default de 2001. Aquelas restrições, explica o trabalho, estão a tornar difícil o acesso da indústria local a fornecimentos de que necessitam.

Sobre a África do Sul, a Bloomberg assinala que está a “tentar recuperar de uma recessão que atingiu o país em 2009” e que o crescimento e 2015 ficará e 2%, contra uma previsão anterior, mais otimista, que antecipava um ritmo de 2,5%. Os “apagões” são frequentes no país e continuarão a suceder durante os próximos três anos.

Portugal não é mencionado na análise efetuada pela Bloomberg. Mas, embora registe variações muito moderadas no índice de preços no consumidor, com alguns meses de oscilações negativas, o país sofre, ainda, uma taxa de desemprego elevada. Em 2015, poderá fixar-se em 13,5%, segundo o FMI, enquanto a inflação rondará 1,2%, de acordo com a mesma instituição.