Uma equipa internacional de arqueólogos acredita ter encontrado o humano mais antigo do Mundo. As duas mandíbulas encontradas na Etiópia, no este de África, datam de há cerca de 2,8 milhões de anos, meio milhão de anos antes do que se supunha ser a origem do género Homo ao qual pertencemos. Esta descoberta pode alterar as hipóteses sobre o local e momento da origem dos humanos, referem os autores do estudo publicado na revista científica Science.

Foi Chalachew Seyoum, um estudante etíope da Universidade Estatal do Arizona, que descobriu o primeiro dente no sítio Ledi-Geraru, na Etiópia, e depois disso a mandíbula que se confirmou ter cerca de 2,8 milhões de anos. O mais surpreendente é a proximidade com o Australopithecus afarensis, da mesma espécie que a conhecida Lucy.

Uma proximidade que é geográfica, temporal e até morfológica. Lucy foi encontrada em 1974, a umas dezenas de quilómetros deste novo achado. Embora tivesse cerca de 3,4 milhões, o Australopithecus afarensis mais recente terá vivido há três milhões de anos, refere o National Geographic. A possibilidade desta espécie de australopiteco e de hominídeo se terem cruzado não é descartável e coloca-se mesmo a hipóteses que Homo agora encontrado seja uma espécie de transição.

O fóssil encontrado visto de vários ângulos

O fóssil encontrado visto de vários ângulos

“Este espécime combina traços primitivos dos primeiros Australopithecus com características morfológicas derivadas observadas em Homo posteriores”, referem os autores no artigo, confirmando que a evolução da mandíbula e dentes se deu no início da linhagem do género Homo. “É uma forma de transição, como seria expectável naquela altura. O queixo parece mais antigo no tempo, mas os dentes parecem mais modernos”, explica William Kimbel, investigador da Universidade Estatal do Arizona.

O sítio onde foram encontradas as mandíbulas está a umas dezenas de quilómetros de Gona, onde apareceram as ferramentas de pedra mais antigas que se conhecem, refere o El Pais. Pensava-se que Homo habilis teria sido o primeiro manusear ferramentas, mas “até agora não havia nenhum fóssil que correspondesse a essas ferramentas [de Gona]”, referiu Carlos Lorenzo, arqueólogo na equipa de Atapuerca e que não esteve envolvido neste estudo. “Não sabíamos quem as tinha feito, mas agora pode atribuir-se a este novo Homo.”

A espécie de Homo mais antiga conhecida tinha 2,3 milhões de anos e tinha sido encontrada na mesma região, mas os fósseis humanos do período entre dois a três milhões de anos são bastante raros. Assim, esta nova espécie descoberta volta a agitar a árvore filogenética humana como se conhece. Uma descoberta reforçada pelo estudo publicado esta semana na Nature, que mostrou que a estrutura de mandíbula e dentes do Homo habilis, quando comparada com australopitecos e hominídeos mais modernos, implicava a existência de uma espécie mais antiga de Homo ou uma evolução de Homo habilis que se tivesse iniciado muito tempo antes.

Artigo atualizado dia 5 de março, às 12h15