O PS acusou esta quarta-feira o Governo de ter uma atitude de “submissão” perante o Eurogrupo, que “contrasta com a voz grossa” que o Governo português tem tido nas negociações com a Grécia.

“O PS considera essa atitude incompreensível e inaceitável. Portugal devia ser dos países mais defensores da solidariedade. Essa fama não corresponde à nossa história e à nossa presença na União Europeia. Atenta contra os interesses nacionais”, afirmou o deputado Vitalino Canas durante o debate no Parlamento sobre a próxima reunião do Conselho Europeu dias 19 e 20. “O debate da Grécia é importante para a estabilidade do euro e alteração do rumo da austeridade que nos está a deixar cada vez pior. Portugal não deve assumir posições de bloqueios, mas uma posição construtiva. Deve-se aproveitar posições de mudanças, venham de onde vierem”, acrescentou, sublinhando que “só o Governo português não percebeu que a política de austeridade está liquidada”.

Também os outros partidos da oposição acusaram o Governo de submissão pelo facto de Bruxelas ter colocado Portugal sob vigilância apertada, depois da saída limpa do resgate e quando continua a defender que terminará este ano com os défices excessivos.

Para o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, a decisão da Comissão Europeia de colocar Portugal sob vigilância apertada “é uma consequência direta das regras do Tratado Orçamental” da União Europeia, que foi “apoiado pelo PSD, PS e CDS”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, por seu lado, comparou Portugal “a um bom aluno que afinal chumbou no exame, depois de ter adotado uma atitude de submissão perante a Alemanha”.

Passos não quis responder às críticas do PS sobre a posição do Governo relativamente às negociações da União Europeia com o novo Governo grego. Comentou apenas a “submissão” ao Eurogrupo. “Portugal está em condições de sair do procedimento por défice excessivo em 2015″, disse, explicando que não precisa de mais dois anos como a França.

A maior defesa do Governo no dossiê Grécia veio do deputado do CDS José Ribeiro e Castro, que elogiou o Executivo nas negociações por estas não terem redundado numa nova crise nos mercados. “Isso não se passou porque Portugal não se confunde com a Grécia”, disse, dizendo que da Grécia vêm coisas “extraordinárias”, citando recentes declarações do ministro grego da Defesa. “É este ministro da Defesa que aqui PS, PCP e BE apoiam”. “Isto é de uma gravidade extrema”, acrescentou. O ministro grego afirmou esta semana que “se a Europa deixar a Grécia numa crise profunda”, então irá ser “inundada por imigrantes ilegais e também alguns jihadistas”.

O primeiro-ministro aproveitou o debate para lançar um desafio ao PS sobre o Programa de Estabilidade e Crescimento, que Portugal tem que entregar em Bruxelas até abril. Revelou que já enviou pedidos de contributos quer para a revisão do programa nacional de reformas, quer para o programa de Estabilidade e Crescimento. “Espero que todos os partidos possam dar o seu contributo”, diz, apelando ao maior partido da oposição, o PS. Um desafio que ninguém comentou.

O PS, por seu lado, apelou a Passos para que o “preconceito do Governo contra o investimento público” não o impeça de aproveitar as medidas inscritas no plano Juncker, ao que o primeiro-ministro respondeu que uma decisão sobre o novo fundo para investimentos europeus só será tomada no verão.