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Ambiente

Governo combate a erosão costeira

Governo cria grupo de trabalho para analisar a erosão da costa e propor medidas para o problema. A curto-prazo a solução passará pela alimentação artificial de areias nas praias.

Segundo um especialista, a erosão da costa está a crescer a um nível preocupante

António Cotrim/LUSA

O agravamento da erosão costeira em Portugal tem de ser combatido, a curto prazo, com alimentação artificial de areias nas praias, defende um relatório que o ministro do Ambiente e Ordenamento do Território apresenta hoje.

O estudo – denominado Projeto Mudanças Climáticas, Costeiras e Sociais, erosões globais, conceções de risco e soluções sustentáveis em Portugal (CHANGE) — foi feito por um grupo de trabalho criado pelo Governo para analisar a erosão da costa durante seis meses e propor soluções para o problema. “Aquilo que nós propomos é, em alguns troços, fazer a alimentação artificial por areia da nossa costa, tal como outros países estão a fazer”, avançou à Lusa o responsável do grupo de trabalho Filipe Duarte Santos.

Segundo este especialista em Física, Ambiente e Alterações Globais, a erosão da costa está a crescer a um nível preocupante — “20 centímetros desde o princípio do século passado e está a acelerar” –, sobretudo devido a um défice de sedimentos em alguns pontos do país. “Esses sedimentos no passado eram trazidos pelos rios, em particular pelo rio Douro, que depois se espalhavam pela costa. Hoje em dia, o Douro já não transporta tantos sedimentos”, explicou. Por isso, a primeira coisa a fazer é, “em alguns troços, fazer a alimentação artificial por areia da nossa costa”, disse Filipe Duarte Santos.

No entanto, o problema da erosão é tão grave que o grupo de trabalho formulou recomendações para o curto prazo (até 2020), mas também o médio (até 2050) e o longo prazo (até 2100). “A médio e longo prazo terá de se considerar também a relocalização de certas infraestruturas e habitações que há ao longo da costa em zonas de grande risco”, avisou o especialista.

O maior problema situa-se “no troço entre a foz do Douro e a Nazaré”, descreveu Filipe Duarte Santos, explicando que esta zona se tornou especialmente problemática “devido à construção do prolongamento do molhe norte do porto da Figueira da Foz”, que interrompeu o transporte de areia do norte para o sul da costa.

Este défice de areia que o grupo de trabalho aponta “é a principal causa da linha da praia estar a recuar e das dunas em alguns sítios estarem a ser destruídas”, o que tem impacto também nas cidades, onde as inundações são cada vez mais frequentes. “Este ano, felizmente, não tivemos muitos temporais, mas se tivermos novamente um ano com temporais muito violentos, a situação pode ser bastante difícil”, concluiu.

Em curso desde 2010, o estudo orientado pelo Instituto de Ciências Sociais e pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa diz que Portugal é um dos países europeus mais afetados pela erosão costeira, apesar de 80% da população viver na costa e de 85% da riqueza produzida no país ter origem junto ao mar.

Para estudar o nível de erosão e as medidas a adotar, os cientistas escolheram três regiões como casos-estudo: Vagueira, na zona de Aveiro, Costa da Caparica, em Lisboa, e Quarteira, no Algarve.

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