Se o impasse entre a Grécia e a zona euro “chegar ao limite”, será preferível optar por uma saída da união monetária do que um terceiro memorando com a troika, escreve em editorial o jornal Left.gr, controlado pelo partido Syriza de Alexis Tsipras. Entre essas duas opções difíceis, o jornal prefere abandonar a zona euro, já que essa opção oferece, pelo menos, “um raio de esperança”.

O jornal escreve que o acordo obtido entre o Eurogrupo e a Grécia a 20 de fevereiro não está a ser cumprido. E a culpa não é da Grécia, diz o jornal, salientando que vários líderes europeus, incluindo o alemão Wolfgang Schäuble, continuam a referir-se aos credores de Atenas como troika, entre outras “tentativas constantes” de equiparar o acordo a um novo memorando de entendimento.

“Mas o maior bloqueio ao acordo está a ser o corte ao financiamento ao governo grego”, escreve o jornal, salientando que “o BCE nem está sequer a permitir um aumento do limite autorizado para a emissão de dívida de curto prazo para cobrir as necessidades de financiamento do Estado”, o que está a criar uma “situação de sufoco”.

Este “sufoco” está a ser proporcionado de forma premeditada pela “liderança extremamente conservadora” da Europa, que quer, assim, colocar perante um dilema entre duas opções – a saída do euro ou um terceiro memorando –, o que equivale a “subjugar o governo e levá-lo a trair o mandato público” que recebeu nas eleições de 25 de janeiro. E porquê “tentar esmagar” o Syriza? “Para acabar com o Podemos [em Espanha] e o Sinn Fein [na Irlanda]”, escreve o jornal.

É neste contexto que “se a situação chegar ao limite, a um dilema entre terceiro memorando e saída do euro, a resposta de um governo de salvação social não pode ser terceiro memorando'”, já que isso “implicaria uma humilhação sem precedentes numa altura em que as eleições trouxeram maior otimismo e esperança”. O editorial reconhece que uma saída da zona euro levaria a uma quebra do produto interno bruto e a política restritivas – “seria muito doloroso” – mas, perante a necessidade de fazer uma escolha, “devemos escolher o caminho menos mau, um que, pelo menos, oferece um raio de esperança”.