Os melhores filmes italianos da atualidade voltam a viajar desde o país da Cinecittà até Portugal. A 8.ª edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano arranca a 25 de março no Cinema São Jorge em Lisboa e, até maio, vai passar pelo Porto, Évora, Caldas da Rainha, Loulé e Coimbra. Stefano Savio, diretor artístico e programador do festival, escolheu cinco momentos que o público não pode perder.

O filme de abertura, “O País das Maravilhas“, é um deles. “Trata-se do segundo filme de Alice Rohrwacher, de 34 anos, “realizadora promissora no panorama cinematográfico italiano”, referiu Stefano. “Achamos que é um dos grandes filmes de sucesso da crítica, pela história sobre a adolescência passada numa aldeia na Toscana, com uma família que fabrica mel. O filme tem uma grande poesia e uma capacidade de falar de uma idade que é difícil de retratar no cinema desta forma”, disse. Como bónus há Monica Bellucci no papel de fada. O filme conquistou o Grande Prémio do Júri do Festival de Cannes e tem estreia comercial marcada em Portugal para 2 de abril. Quem quiser ver mais cedo deve comprar bilhete para a sessão de 25 de março, às 21h30, no Cinema São Jorge.

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Saverio Constanzo é o realizador do segundo filme que o diretor artístico aconselha a visionar. “Corações Inquietos” passa dia 27 de março às 21h30 e foi um dos filmes mais apreciados do último Festival de Veneza, que atribuiu prémios de Melhor Atriz para Alba Rohrwacher (que vai estar em Lisboa) e Melhor Ator para Adam Driver, assim como menções especiais para o realizador Saverio Costanzo, que também ganhou o prémio Fipresci no Festival de Estocolmo. Baseado no romance de Marco Franzoso, Il bambino indaco, o filme “é um thriller psicológico com muito impacto, que fala de relações muito fortes. O realizador é também um dos poucos que tem uma direção e uma ideia do cinema muito própria”, disse Stefano Savio.

Uma das grandes novidades desta edição do 8 ½ é a inclusão de uma série televisiva. E, ainda que não seja fã de séries, Stefano elege-a como um momento imperdível da programação. Trata-se de “Gomorra“, baseada no livro de Roberto Saviano, tal e qual o filme realizado por Matteo Garrone em 2008. “O retrato feito nesta série é muito mais fiel ao livro do que o filme”, disse o diretor artístico, que lhe elogia também a cinematografia. Sobre o tema, já se sabe. Gomorra é a máfia de Nápoles e a história aborda as aventuras de uma família nos arredores daquela cidade italiana que fala da Máfia especifica de Nápoles. Ao todo haverá 12 episódios para ver, entre 26 de março e 2 de abril, divididos por cinco sessões.

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Inserido na secção de competição está o quarto momento a não perder. Trata-se de “Le Cose Belle“, um documentário ficcional de Agostino Ferrente e Giovanni Piperno, “muito interessante porque liga duas coisas para nós muito fortes”, disse Stefano. Uma é a cidade de Nápoles. A outra é a estrutura a fazer lembrar o filme de Richard Linklater, “Boyhood”, por ter filmado quatro jovens ao longo de 10 anos, acompanhando-os na transição entre a adolescência e a idade adulta, numa cidade que vive atualmente dificuldades. Há duas ocasiões para ver “Le Cose Belle”: 28 de março e 1 de abril, ambas as sessões no Cinema São Jorge, às 19h00.

Por fim, “Torneranno i Prati“, último filme de Ermanno Olmi, realizador que Stefano descreve como “um dos grandes mestres do cinema italiano”. “Trata-se de uma história muito crua e fiel, passada durante uma hora e meia em tempo real, mas que se passa numa trincheira na I Guerra Mundial. Fala do medo, da esperança e da falta dela”, contou o programador.

Do spaghetti western de Sergio Leone ao documentário sobre Federico Fellini

Ao todo há cerca de 35 filmes para ver na 8.ª edição do 8 ½ Festa do Cinema Italiano, entre os quais alguns em antestreia nacional. Um deles é “Que estranho chamar-se Federico“, documentário de Ettore Scola sobre uma das maiores figuras do cinema italiano, Federico Fellini, falecido em 1993.

A mostrar que o evento está a ganhar importância para Itália, Lisboa foi a cidade escolhida para duas antestreias mundiais. A primeira é um autêntico fenómeno de bilheteira em Itália, “Noi e la Giulia“, é uma comédia sobre a vida aos 40 e o desejo de criar um negócio de turismo rural numa quinta no sul de Itália. O problema é que a região é controlada pela mafia.

O segundo filme em antestreia mundial é “O Rapaz Invisível“, o mais recente de Gabriele Salvatores e escolhido para a sessão de encerramento, a 2 de abril, às 21h30. “É um caso quase raro em Itália, um filme de ficção científica. Achámos importante mostrar porque é um filme bem feito e tem coragem de enfrentar um género de cinema que em Itália já não se faz muito. Tem mais efeitos criativos e menos efeitos especiais”, disse Stefano Savio sobre a história do menino que compra um fato que, afinal, tem poderes inesperados.

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Na secção onde se olha para o passado, e em colaboração com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, haverá uma retrospetiva dedicada a Sergio Leone, criador do spaghetti western. Um dos destaques é a exibição da cópia restaurada em 4k da versão integral, nunca antes exibida em Portugal, do filme “Era uma vez na América“, com Robert de Niro.

O programa inclui ainda o recente filme “Terra da fraternidade“, documentário luso-italiano de Lorenzo d’Amico De Carvalho, sobre Portugal, a crise económica e a participação cívica dos portugueses nas manifestações ocorridas nos últimos quatro anos. O programa completo pode ser consultado no site oficial da Festa.