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António Costa

Líder do PS critica “autossatisfação” de Passos Coelho quando há 2,7 milhões de pobres

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O secretário-geral do PS criticou a "autossatisfação" do primeiro-ministro porque ninguém pode orgulhar-se de "cofres cheios", quando há 2,7 milhões de portugueses a viver abaixo do limiar de pobreza.

Costa já tinha criticado Maria Luís Albuquerque por causas das suas declarações numa iniciativa da JSD

JOSÉ COELHO/LUSA

O secretário-geral do PS criticou este domingo a “autossatisfação” do primeiro-ministro, porque ninguém pode satisfazer-se com a situação do país, nem orgulhar-se de “cofres cheios”, quando há 2,7 milhões de portugueses a viver abaixo do limiar de pobreza.

“O primeiro-ministro está cheio de autossatisfação, mas, infelizmente, não é esse contentamento que os portugueses têm perante a realidade do país e ninguém pode ser indiferente à situação em que estamos”, disse António Costa aos jornalistas, durante uma visita a uma exploração agrícola no concelho de Beja, no Alentejo.

O líder do PS reagia a declarações do presidente do PSD e primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que hoje disse que quem ficou ofendido porque a ministra das Finanças disse que Portugal tem os cofres cheios devia ficar ofendido por saber que quando o Governo tomou posse “os cofres estavam vazios” e foi isso que “custou muito desemprego” e muitas medidas difíceis.

“Andámos 10 anos para trás em matéria de riqueza produzida, andámos 20 anos para trás em matéria de emprego, andámos 30 anos para trás em matéria de investimento e andámos 50 anos para trás em matéria de imigração. Ninguém pode estar satisfeito com esta situação e fico preocupado pelo primeiro-ministro não perceber a realidade em que estamos e, em vez de querer alterar, querer, pelo contrário, dar continuidade a esta política”, lamentou António Costa.

Segundo o líder do PS, “de facto, não é bom ninguém orgulhar-se de ter os cofres cheios quando temos dois milhões e 700 mil portugueses a viver abaixo do limiar de pobreza, um desemprego acima dos 13%, o recuo na capacidade de investimento”.

Por isso, “é um erro” dar continuidade a esta política, disse, defendendo que seria “necessário mudar para podermos recuperar este tempo que temos estado a perder” e “agir de forma a relançar a nossa economia” para “entrarmos num processo de recuperação e não neste processo de estagnação em que estamos com uma carga fiscal brutal, o investimento a cair, o emprego sem se desenvolver e com a riqueza 10 anos atrás do que aquela que deveria estar”.

 

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