A coligação liderada por Nicolas Sarkozy é a grande vencedora da segunda volta das eleições departamentais, em França. As urnas encerraram às 20h00 locais (19h00 em Lisboa) e o UMP conseguiu ganhar em 67 dos 74 departamentos. Até agora lideravam 41. O PS ficou-se por 27 departamentos, perdeu quatro. A vitória do partido de Nicolas Sarkozy dá-lhe impulso para atacar as presidenciais.

No discurso de vitória, Sarkozy, ex-presidente de França e líder da coligação vencedora, afirmou que os resultados eleitorais são um sinal de que o seu partido, o UMP, poderá regressar ao poder em 2017. Os franceses, disse Sarkozy, “rejeitaram de forma maciça” as políticas de François Hollande e acrescentou estar convencido de que “uma mudança de governo será inevitável”.

Já na primeira volta, que teve lugar no passado domingo, a coligação de centro-direita tinha saído vencedora, com a grande surpresa a ser o Partido Socialista, que se ficou pelo terceiro lugar, ultrapassado pelo partido nacionalista Frente Nacional, de Marine Le Pen.

Em reação aos resultados que penalizam o presidente François Hollande e a sua governação, o primeiro-ministro, Manuel Valls, afirmou que “com o seu voto, os franceses expressaram a sua fúria, a sua fadiga com uma vida que é muito difícil: desemprego, impostos e um elevado custo de vida”. Já na rede social Twitter preferiu felicitar os ministros que foram eleitos nos departamentos a que concorriam.

A economia francesa, recorda a Bloomberg, mal tem crescido desde que Hollande tomou o poder em maio de 2012, com o número de desempregados a atingir, agora, 3,5 milhões de pessoas, enquanto a carga fiscal é a mais alta entre a zona euro. Manuel Valls prometeu, já, novas medidas para os próximos dias, destinadas a estimular o investimento e o crescimento.

O secretário-geral do Partido Socialista já se pronunciou sobre as projeções. “Franceses, franceses, vocês deram o vosso veredito. Na primeira volta assistiu-se à afirmação do tripartidarismo, a Frente Nacional não triunfa, a direita ganha mas sem o efeito Sarkozy, o PS cai”. As declarações de Corinne Narassiguin, uma das porta-vozes do PS francês, vão no mesmo sentido. “Vai ser uma descida importante”, disse, citada pelo Libération. O Partido Comunista Francês comentou a derrota socialista destacando a perda de “vários bastiões históricos”.

Vários nomes franco-portugueses estão presentes nesta segunda volta, como Alexandra Custódio, no cantão Saint-Etienne 2 (departamento de Loire) e Lauriano Azinheira, no cantão de Nice (departamento de Alpes Maritimes), ambos candidatos em listas da aliança de centro-direita. Destaque ainda para David Queirós, que se candidata numa lista da União da Esquerda, no cantão Saint Martin d`Hères, no departamento de Isère. Ainda não se conhecem estes resultados.