O Ministério da Agricultura e Mar (MAM) vai aguardar pelas autoridades europeias para decidir sobre a segurança dos glifosatos, herbicidas largamente usados em Portugal que foram classificados como potencialmente cancerígenos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O ministério sugeriu, além disso, que as conclusões da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC), a estrutura da OMS que classificou recentemente este produto como “possível ou provavelmente” cancerígeno para o homem, podem ter sido precipitadas.

Numa resposta escrita enviada à agência Lusa, o Ministério da Agricultura salienta que “a análise conduzida pelas autoridades alemãs (e que Portugal consubstancia)” não encontrou evidências de propriedades carcinogénicas nesta substância.

“As autoridades alemãs refutam as conclusões tiradas pelo IARC, referindo que aquela entidade não realizou uma apreciação exaustiva de toda a informação disponível (…) e, portanto, parece ter efetuado uma análise incompleta e enviesada da informação tendo, nessa circunstância concluído erradamente sobre a substância”, refere a mesma resposta.

Portugal vai esperar, por isso, pela publicação oficial das conclusões da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, que está a avaliar o relatório produzido pelas autoridades alemãs, para emitir um parecer em consonância “com a devida informação técnica e científica atualizada”.

O glifosato é a substância ativa mais comercializada dos herbicidas em Portugal, representando cerca de 64% do total, segundo dados da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).

Em 2012, último ano relativamente ao qual existem dados disponíveis, foram vendidos em Portugal 1.768.622 quilos de herbicidas, menos 11,4% do que em 2011.

De acordo com as entidades oficiais, não existem até à data “casos comprovados de envenenamento com produtos à base de glifosato” que é usado “para controlo de pós emergência das infestantes anuais e perenes das culturas”, não existindo alternativas.

O Ministério da Agricultura aconselha, no entanto, que “os meios de luta biológicos, físico e outros meios não químicos sustentáveis devem ser preferidos aos meios químicos, se permitirem o controlo dos inimigos das culturas de uma forma satisfatória”.

A 25 de março, cinco dias depois do alerta da OMS, 11 entidades não-governamentais das áreas do ambiente e agricultura reunidas na Plataforma Transgénicos Fora transmitiram as suas preocupações quanto à possibilidade de o herbicida “mais vendido em Portugal”, causar cancro, pedindo ao governo português que adote medidas para proteger os cidadãos.

O glifosato comercializado em Portugal é também vendido livremente para uso doméstico em hipermercados, hortos e outras lojas e é usado “com abundância” por quase todas as autarquias para limpeza de arruamentos, sendo esta uma das formas mais relevantes de exposição das populações, segundo a IARC, salientou a Plataforma Transgénicos Fora num comunicado.

A multinacional de agricultura e biotecnologia Monsanto, produtora do Roundup, um produto que tem o glifosato como ingrediente principal, veio garantir dois dias mais tarde que estes produtos “são seguros para a saúde humana”.