Um ensaio pré-clínico, publicado esta quarta-feira pela Nature, mostrou que anticorpo específico para o vírus VIH-1 (vírus da imunodeficiência humana tipo 1) consegue controlar o vírus durante 28 dias. Porém, os autores do estudo referem que o anticorpo só por si não é suficiente para controlar a infeção, nota o comunicado de imprensa.

A imunoterapia contra o VIH-1, em que são injetados anticorpos que já estão ativos contra a infeção, tinha-se mostrado ineficaz nos ensaios pré-clínicos e clínicos anteriores. Para conseguir prevenir a infeção e controlar o desenvolvimento do vírus a equipa de Michel Nussenzweig, investigador na Universidade de Rockfeller, em Nova Iorque (Estados Unidos), testou, nesta nova investigação, anticorpos mais potentes.

“Este estudo mostra pela primeira vez que os anticorpos podem ter lugar nas terapias contra o VIH”, disse, em reação à investigação, Vincent Piguet, director do Instituto de Infeção e Imunidade da Universidade de Cardiff, no Reino Unido. “É uma boa notícia para combater o VIH, mas um desenvolvimento do tratamento contra VIH-1 pode ainda levar uns quantos anos a estar completo.”

Os ratos de laboratório, modificados geneticamente para terem características humanas, e os primatas não humanos, usados no ensaio pré-clínico (antes do teste em humanos), reduziram a carga viral durante 28 dias, sem manifestarem reações secundárias contra a vacina, mas o potencial para a utilização em humanos ainda não foi testado. Ainda que a imunoterapia possa estimular o sistema imunitário mais rapidamente, os investigadores alertam que esta técnica só por si não é suficiente para controlar a infeção e que é preciso fazer uma combinação de dois anticorpos ou de um anticorpo com um medicamento.

“Embora o tratamento com anticorpos não seja suficiente só por si, pode mostrar-se útil em combinação com a terapia com medicamentos, como um meio para controlar a longo prazo ou mesmo curar a infeção por VIH”, disse, em reação ao estudo, Andrew Freedman, consultor honorário sobre Doenças Infecciosas, na Universidade de Cardiff. “Também pode ser um meio eficaz para prevenir infeções com VIH na ausência de vacina. Contudo, mais estudos são necessários para demonstrar a utilidade prática.”

Embora admita que o estudo foi bem conduzido, Andrew Freedman lembra que só foram envolvidos 17 indivíduos e que em alguns deles se desenvolveu resistência ao tratamento. Além disso, os indivíduos que foram injetados com doses maiores tiveram reações diferentes no controlo do vírus.

Vincent Piguet concorda: “Este é um desenvolvimento importante na luta contra o VIH, contudo o aparecimento de resistência foi observado em alguns, mas não todos, os pacientes.” O diretor do Instituto de Infeção e Imunidade acrescenta ainda que os custos de produção e utilização de anticorpos são superiores ao dos medicamentos convencionais. “Será interessante verificar se anticorpos mais potentes e mais baratos podem ser produzidos para prevenir ou tratar a infeção por VIH-1.”